O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Cadu Xavier (PT) tentou mostrar um lado menos técnico e mais pessoal durante entrevista ao programa Frente a Frente, da TV Clube RN. Conhecido pela atuação na área fiscal do Governo Fátima Bezerra (PT), primeiro como secretário de Tributação e depois como secretário de Fazenda, ele falou sobre fé, filhos, origem familiar, futebol, hábitos pessoais e dificuldades da rotina de pré-campanha.
Ainda pouco conhecido por parte do eleitorado fora do ambiente político e administrativo, Cadu buscou apresentar Carlos Eduardo Xavier para além do gestor das contas públicas. Na entrevista veiculada no sábado 20, alternou defesa do governo Fátima, críticas a adversários e relatos pessoais, numa tentativa de construir uma imagem mais próxima do eleitor comum.

No bloco mais íntimo, disse que é católico, embora não se considere extremamente religioso. Afirmou que vai à missa e atribuiu parte de sua trajetória pública ao que chamou de “dedo de Deus”.
“Eu sou um cara religioso. Não sou extremamente religioso, mas eu sou católico, não muito praticante, mas sempre vou à missa”, declarou.
Ele também afirmou que nunca planejou ser secretário nem pré-candidato ao Governo do Estado.
“As coisas que vêm acontecendo na minha vida têm o dedo de Deus, não tem explicação”, disse.
Segundo Cadu, sua motivação está na capacidade da política de transformar a vida das pessoas.
“Claro que o que me move nesse processo todo é a transformação que a política pode fazer na vida do povo”, afirmou.
O pré-candidato falou ainda da família. Pai de dois filhos, um menino de 13 anos e uma menina de 11, Cadu se emocionou ao dizer que a rotina de pré-campanha tem reduzido sua presença em casa. Disse que os filhos são a razão de sua vida e que tenta preservar momentos de convivência, mesmo em meio às viagens e compromissos políticos.
“Tenho dois filhos, um de 13, pré-adolescente, e uma menina de 11 anos, que são a razão da minha vida. Nesse processo todo, lá vou eu me emocionar, eu tenho sentido muita falta, porque a gente acaba se tornando muito ausente”, afirmou.
Em seguida, disse que procura levar os filhos à escola quando consegue.
“Hoje mesmo, quando posso, eu levo eles na escola, tenho um momento de qualidade com eles”, declarou.
Cadu também tentou se apresentar como alguém de origem simples, apesar da carreira no serviço público e da imagem de técnico da área fiscal. Disse ter nascido no Rio de Janeiro, mas ressaltou que os pais são potiguares, da região de Lajes Pintadas, Campo Redondo e Santa Cruz. O avô, segundo ele, era caminhoneiro. O pai saiu do Rio Grande do Norte jovem e iniciou a vida profissional como soldado da Marinha.
“As pessoas, às vezes, me julgam muito pela minha aparência. Eu sou um cara branco, hétero, tem gente que diz que eu sou bonito, mas a minha família é uma família muito humilde. Eu tenho uma raiz muito humilde. Meu avô foi caminhoneiro, meu pai foi soldado da Marinha”, afirmou.
Auditor fiscal desde 2005, Cadu disse que teve oportunidade de estudar, passar em concurso e construir carreira, mas afirmou que não perdeu a ligação com a origem familiar.
“Eu acho que a gente não perder a essência, chegando onde a gente chegou na política, é fundamental para a gente continuar transformando a vida das pessoas”, disse.
No campo político, a vida pessoal apareceu ligada à defesa de Fátima Bezerra. Cadu afirmou que a governadora é sua principal inspiração política. Ao ser perguntado sobre um líder que admira, disse que poderia citar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas escolheu Fátima.
“Não vou negar. Fátima Bezerra. Eu poderia dizer o presidente Lula ou a governadora Fátima, mas Fátima, para mim, é uma grande inspiração”, afirmou.
A resposta reforçou a vinculação de sua pré-candidatura à atual governadora. Cadu disse ter orgulho de ter participado da gestão petista e afirmou que aceitar o convite de Fátima para integrar o governo foi uma das decisões mais importantes de sua vida profissional.
Ao falar do próprio temperamento, Cadu se definiu como emocional, mas disse que procura combinar sentimento e racionalidade. Segundo ele, Fátima costuma dizer que, apesar da origem técnica, ele adquiriu sensibilidade política ao longo dos anos de governo.
“Acho que eu sou mais emocional, mas a gente tem que usar a racionalidade sempre. Acho que a minha inteligência é emocional, combinando a racionalidade com o sentimento”, afirmou.
No pingue-pongue final, respondeu a perguntas rápidas sobre hábitos e preferências. Disse que sua essência pode ser resumida em “fazer o bem”, que quer transmitir “verdade” na campanha e que define o Rio Grande do Norte com a palavra “prosperidade”. Escolheu Galinhos como lugar preferido no Estado, churrasco como comida de que não abre mão e melão como fruta favorita, aproveitando para lembrar que o RN é grande exportador da fruta.
Também revelou um hábito pouco conhecido: acorda de madrugada e demora a voltar a dormir. Ao ser perguntado sobre um defeito, admitiu ser teimoso. Como qualidade, citou ser verdadeiro e transparente.
“Eu acho que ser verdadeiro, ser transparente. Às vezes é ruim na política”, declarou.
Futebol também entrou na conversa. Cadu disse ser apaixonado pelo esporte, torcedor do Botafogo e do ABC. Citou como momento inesquecível ter visto seu time campeão em um estádio ao lado do filho.
“Eu disse que sou apaixonado por futebol. De estar num estádio com meu filho vendo meu time ser campeão foi um momento”, afirmou.
Ao final, agradeceu o espaço, disse que terminou emocionado e elogiou o papel da imprensa.
“A imprensa tem um papel central para a democracia, e a democracia é fundamental”, declarou.
A entrevista mostrou um pré-candidato em busca de popularização, tentando transformar currículo técnico em presença política e apresentar ao eleitor um rosto mais humano por trás do nome que o PT pretende levar à disputa pelo Governo do Estado.