Em 15 de agosto de 1849, nasceu no município de Caicó/RN, em nosso Seridó, Amaro Bezerra Cavalcanti, escritor, industrial, professor e advogado. Autodidata, aprendeu as primeiras letras e o latim com seu pai, Amaro Soares Cavalcanti. Em 1872, por meio de concurso, passou a ministrar aulas do idioma no Ceará. Após se tornar inspetor geral da Instrução Pública, foi designado pelo Presidente da Província para ir aos Estados Unidos da América, a fim de estudar o sistema e a organização do ensino público. Lá, graduou-se em Direito pela Escola de Direito da Union University. Trilhou sua história seguindo ideais abolicionistas e republicanos, dedicando parte de sua vida à carreira política. Como vice-governador do Rio Grande do Norte (1889) e posteriormente senador pelo Estado (1891), opôs-se ao movimento contra Deodoro da Fonseca. Ainda no Rio Grande do Norte, foi eleito deputado federal, em 1917, mas não chegou a tomar posse. Em 1894 foi indicado para ministro plenipotenciário junto ao governo do Paraguai, e foi ministro de Justiça (1897-1898), sendo o primeiro potiguar a ocupar o cargo no governo republicano. Já no Distrito Federal (território correspondente à atual área do município do Rio de Janeiro), Amaro Bezerra Cavalcanti foi prefeito, em 1911, criando a escola Normal Profissional Wenceslau Braz e realizando inúmeras obras nas finanças e no ensino. Pela prefeitura do Distrito Federal, foi também homenageado com um logradouro público que recebeu seu nome, além de uma escola técnica secundária.
Sócio em várias sociedades nacionais, foi também honorário do Instituto Histórico e Geográfico do Estado do Rio Grande do Norte, e patrono da cadeira número 2 da Academia Norte-rio-grandense de Letras. Na sua carreira jurídica, foi juiz do Tribunal Arbitral de Haia (Holanda), consultor jurídico do Ministério do Exterior (1905-1906) e fundou a Sociedade Brasileira de Direito Internacional. Poliglota, falava francês, espanhol, inglês e italiano. Traduzia o alemão, conhecia o idioma russo e lia também em grego. Deixou, por meio de livros, importantes contribuições nas áreas do direito, política, educação e religião. Foi Ministro do Supremo Tribunal Federal, nomeado em 11 de maio de 1906 pelo presidente Rodrigues Alves. Quando ministro do Supremo Tribunal Federal, ao lado de Alberto Torres, deferiu Habeas Corpus em favor de D. Luís, filho da Princesa Isabel. D. Luís pretendia desembarcar no Brasil, porém havia proibição decorrente do decreto de banimento da família imperial, ocorrido com a Proclamação da República. O Supremo Tribunal Federal, no entanto, por maioria, rejeitou o pedido. Aposentou-se do cargo em 30 de dezembro de 1914. Faleceu aos 72 anos em sua casa, no bairro carioca de Botafogo, em 28 de janeiro de 1922.
