A posição de Allyson Bezerra (União) a favor do fim da escala 6×1 abriu uma nova leitura sobre o comportamento político do pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte. Ao defender a redução da jornada, sob o argumento de que o trabalhador precisa ter mais tempo com a família, o ex-prefeito de Mossoró se aproximou de uma pauta normalmente associada à esquerda e ao campo sindical.
O movimento chama atenção porque Allyson tem se apresentado como nome de centro, com capacidade de dialogar com campos distintos. Ao mesmo tempo em que reúne apoios de partidos e lideranças mais próximos da direita, também busca não fechar portas para eleitores de esquerda, especialmente num eventual segundo turno contra Álvaro Dias (PL) ou Cadu Xavier (PT).

A dúvida política é se a posição representa uma guinada real, ainda que moderada, ou apenas uma escolha tática de pré-campanha. Segundo analistas políticos, Allyson estaria trocando o perfil de gestor de decisões duras por um discurso mais fácil, popular e eleitoralmente confortável. A defesa do fim da 6×1 está sendo tratada como sinal de oportunismo e populismo, sobretudo porque o próximo governador terá de enfrentar uma situação fiscal difícil, negociar com poderes, sindicatos e servidores, e evitar promessas de alto custo.
Em nota, Allyson reafirmou a defesa da redução da jornada, mas disse que qualquer mudança nas relações de trabalho precisa vir acompanhada de apoio ao pequeno empreendedor e ao setor produtivo. Essa ponderação mostra o dilema. Allyson tenta ocupar o centro, mas começa a fazer acenos simultâneos. Para a direita, vende gestão e oposição ao PT. Para a esquerda, sinaliza sensibilidade social. A questão é se isso constrói uma ponte eleitoral ou revela apenas uma candidatura moldada para agradar plateias.
Larissa nega convite para vice de Cadu
A presidente estadual do PSB, Larissa Rosado, negou ter recebido convite formal para ser vice na chapa do pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Cadu Xavier. Em entrevista ao programa Cenário Político, da TCM Mossoró, ela afirmou que o partido deseja participar da composição majoritária governista, mas ressaltou que isso não significa necessariamente a indicação do seu nome.
“A gente nunca conversou falando de um convite a mim, Larissa, para ser vice de Cadu Xavier”, declarou. Segundo Larissa, o PSB busca espaço na chapa e tem outros quadros que podem ser discutidos, seja para vice, Senado ou suplência. Ela citou, entre os nomes do partido, Gutemberg Dias e o advogado Luiz Gomes.
A dirigente disse que PSB, PT, PV, PCdoB, PDT e Cidadania vêm dialogando sobre a montagem do palanque governista para 2026. Larissa destacou que a relação entre PSB e PT é antiga, inclusive no plano nacional, onde o partido ocupa a vice-presidência da República com Geraldo Alckmin.
Apesar de negar convite pessoal, Larissa cobrou mais rapidez na definição. Ela afirmou que lideranças do PT têm defendido calma e falado em decisão até junho, mas avaliou que, politicamente, seria melhor avançar logo, já que Allyson Bezerra e Álvaro Dias já estão em ritmo de pré-campanha.
Larissa também afirmou que o PSDB é bem-vindo ao arco de alianças, embora reconheça que a sigla ainda trata internamente sua posição.
Hélio tenta se firmar em chapa tensionada
O ativista Coronel Hélio enfrenta dificuldades para se consolidar como nome da direita ao Senado no Rio Grande do Norte, apesar de lideranças do PL afirmarem que a chapa da direita está fechada. O desgaste cresceu após a informação de que Styvenson Valentim estaria distante da pré-campanha de Álvaro Dias e preferiria dividir a disputa com Flávio Rocha, filiado ao Novo, em vez de ter Hélio como companheiro de chapa. Segundo a coluna de Diógenes Dantas no Agora RN, Styvenson avaliaria que Hélio poderia “puxá-lo para baixo” na campanha.
Hélio reagiu tentando encerrar a especulação. Em entrevista à Band, disse que a possibilidade de substituição está descartada e afirmou que a chapa Álvaro Dias, Babá Pereira, Styvenson e Coronel Hélio está “prego batido, ponta virada”, com decisão já tomada por Rogério Marinho.
O problema é que a simples necessidade de reafirmar a própria vaga mostra que o espaço ainda não está totalmente pacificado.