A família de uma menina de 10 anos internada em Natal cobra esclarecimentos sobre o quadro de saúde da criança após uma suspeita de contaminação ou reação associada ao uso de um detergente da marca Ypê. Os parentes afirmam que os sintomas começaram após a menina lavar as mãos utilizando o produto enquanto estava com um pequeno corte em uma das mãos. O lote do produto o qual a criança teve acesso é com o final 1, justamente a numeração afetada pela determinação a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A menina foi identificada como Maria Clara Gomes. Ela está internada desde segunda-feira 11 na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Pajuçara, na Zona Norte de Natal, e segue sem diagnóstico conclusivo. A família afirma que médicos suspeitam de uma bactéria, mas alegam que ainda não têm informações precisas sobre qual seria o agente causador do problema.
“Eles dizem que é uma bactéria, mas nós queremos saber qual é a bactéria”, disse a mãe da menina, Tatiana Gomes, em entrevista à TV Tropical.

Ela relatou que a filha nunca apresentou histórico de alergias ou doenças graves. Segundo ela, Maria Clara era saudável e começou a apresentar manchas e reações após o contato com o detergente. “Ela nunca teve histórico de alergia. Era uma menina saudável”, disse.
De acordo com a família, a criança começou a apresentar manchas pelo corpo, dores intensas, perda de força nas pernas e dificuldade para andar. A mãe afirma que a filha precisou ser levada à unidade de saúde nos braços do pai após perder os movimentos das pernas. “Minha filha ficou sem andar, perdeu as forças das pernas. Ela chegou aqui pelos braços do pai”, relatou Tatiana.

A família afirma ainda que a menina vem recebendo antibióticos, adrenalina e medicamentos antialérgicos, mas que o quadro continua preocupando os parentes. “Eu só quero um exame para saber o que minha filha tem”, afirmou a mãe, emocionada.
Segundo os relatos, os primeiros sintomas apareceram após a criança voltar da escola. A família diz que recebeu uma ligação da direção da unidade de ensino informando que Maria Clara apresentava manchas atrás da orelha e na palma da mão, justamente no local onde havia o corte.
Os familiares afirmam que só passaram a relacionar o caso ao detergente após notícias sobre suspeitas envolvendo lotes do produto circularem na imprensa. “Eu não estou dizendo que é do detergente. Eu só quero uma resposta”, declarou a mãe.
Documentos apresentados pela família apontam que a menina deu entrada na unidade de saúde com reações alérgicas recorrentes, dores nos pés e nas mãos, além de dificuldade de locomoção.
A família também cobra transferência da paciente para um hospital especializado, alegando que o caso depende de regulação estadual para encaminhamento a unidades de maior complexidade. “Ela precisa ser atendida em um hospital especialista”, afirmou o pai da criança.
A família informou ainda que acionou um advogado para ter acesso ao prontuário médico da menina e segue aguardando exames que possam identificar a causa do problema.
O que diz a Secretaria de Saúde de Natal
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Natal informou que todos os procedimentos de acolhimento e assistência à menina estão sendo realizados pela equipe da unidade onde ela permanece internada. A pasta afirmou ainda que a paciente foi inserida no sistema de regulação do Governo do Estado para realização de exames e avaliação mais detalhada do quadro clínico da criança.
Caso Ypê
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou no último dia 7 a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de diversos produtos da marca Ypê após identificar falhas graves no processo de produção da empresa Química Amparo, responsável pela fabricação dos itens. A decisão também incluiu o recolhimento dos produtos atingidos.
A medida foi publicada na resolução RE nº 1.834/2026 e atinge detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes fabricados na unidade da empresa em Amparo, no interior de São Paulo. Segundo a Anvisa, somente os lotes terminados com o número 1 foram afetados pela determinação.
A orientação veio após inspeções da vigilância sanitária constatarem a incapacidade da empresa de resolver falhas na produção, identificadas inicialmente em novembro do ano passado, quando foi detectada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras.
Entre os problemas apontados estão falhas nos sistemas de garantia da qualidade, na produção e no controle de qualidade dos produtos saneantes. Segundo a Anvisa, as irregularidades comprometem o cumprimento das chamadas Boas Práticas de Fabricação (BPF), conjunto de regras sanitárias obrigatórias para a indústria.
A agência afirmou ainda que as falhas identificadas indicam “risco à segurança sanitária dos produtos”, com possibilidade de contaminação microbiológica — presença indesejada de microrganismos patogênicos que podem comprometer a segurança do consumidor.