O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Allyson Bezerra (União) afirmou em entrevista à 98 FM que trata com naturalidade a operação da Polícia Federal e demais investigações envolvendo sua gestão à frente da Prefeitura de Mossoró. Segundo ele, qualquer administração pública está sujeita ao controle de órgãos fiscalizadores e deve prestar contas de forma transparente.
“Primeiro, que toda gestão está sujeita a passar por algum tipo de investigação, de controle, de algum órgão de controle, eu acho que deve ser assim mesmo”, disse. Allyson ressaltou que sempre se colocou à disposição para esclarecimentos e destacou que sua gestão implantou um modelo totalmente digital, que permite rastreabilidade e auditoria de todos os processos. “Tudo isso é controlado, auditável, tudo isso está pronto para ser entregue a qualquer órgão de controle”, afirmou.

Sobre a operação da Polícia Federal, ele explicou que a investigação envolve uma empresa com contratos em diversos municípios e que a repercussão foi ampliada por sua condição de pré-candidato ao governo. Allyson negou qualquer irregularidade pessoal. “Nunca foi achado dinheiro na minha casa, zero. Não foi achado dinheiro, arma, contratos, papéis que pudesse de alguma forma macular”, declarou.
O pré-candidato também diferenciou investigação de denúncia formal. Segundo ele, nenhuma apuração evoluiu para ação judicial. “Existe uma investigação que está em andamento, algo normal. O Ministério Público avaliar isso e pedir uma denúncia é outra coisa. Isso nunca aconteceu no tocante a mim”, disse.
Allyson reforçou que defende a transparência e o escrutínio público. “Todo político tem que ser questionado. Todo político deve ser questionado”, afirmou. Ele disse ainda que pretende ampliar o modelo de gestão digital para o Governo do Estado a partir de 2027, com o objetivo de garantir controle e prevenir irregularidades.
Por fim, destacou que mantém tranquilidade diante de possíveis desdobramentos. “Eu tenho confiança em todos os atos de gestão que nós tivemos”, concluiu.
TCU aponta falhas e pressiona Álvaro Dias
A auditoria do Tribunal de Contas da União sobre a engorda da Praia de Ponta Negra expôs um conjunto de inconsistências que devem pesar no discurso do ex-prefeito Álvaro Dias (PL) durante a campanha ao Governo do Estado. O processo nº 018.819/2025-7, relatado pelo ministro Antonio Anastasia, reúne achados que vão desde falhas técnicas até possíveis irregularidades no uso de recursos federais.
Entre os principais pontos levantados está a “insuficiência e fragilidade dos estudos preliminares de viabilidade técnica, econômica e ambiental”, além de lacunas nos projetos básico e executivo. O TCU também questiona o modelo de financiamento adotado, classificando como inadequado o uso de instrumento simplificado da Defesa Civil para uma obra de caráter estruturante.
No campo ambiental, a Corte identificou prejuízos ao licenciamento e limitação da atuação do Idema no acompanhamento das condicionantes. A execução também entrou no radar: foi constatada “perda significativa do aterro hidráulico” em menos de um ano, sobretudo na região do Morro do Careca, além de indícios de uso de material oriundo de jazida não autorizada.
Outro ponto sensível envolve a gestão contratual. A auditoria aponta a existência de aditivo para ampliação de serviços sem anuência do órgão concedente, o que pode tornar despesas incompatíveis com financiamento federal. Há ainda registro de restrição à concorrência na licitação e falhas de transparência, com ausência de divulgação de relatórios ambientais.
Embora ainda preliminares, os achados ampliam a pressão política sobre Álvaro Dias, que terá de responder, em meio à campanha, a questionamentos sobre planejamento, execução e resultados de uma das obras mais emblemáticas de sua gestão.
Cadu nega aumento de ICMS e rebate críticas
O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Cadu Xavier (PT) afirmou que não aumentou impostos durante sua atuação como secretário de Fazenda e classificou como “superficiais” as críticas feitas por adversários, que o apontam como responsável pela elevação da carga tributária no Estado.
Cadu reconhece que houve discussão sobre recomposição de receita, mas sustenta que o contexto foi excepcional. Segundo ele, a medida ocorreu após a queda abrupta de arrecadação provocada pelas Leis Complementares 192 e 194, aprovadas no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. “A única vez que a gente discutiu reposição de imposto foi quando houve aquela redução abrupta”, afirmou.
Apesar da justificativa, adversários mantêm o ataque, tentando fixar a imagem de que o pré-candidato seria um gestor voltado à elevação de tributos. “Essa crítica é tão superficial que eu vou ficar muito tranquilo para responder”, declarou.