BUSCAR
BUSCAR
Anísio Marinho

A epidemia do alcoolismo

Confira o artigo de Anísio Marinho desta quarta-feira 16
Anísio Marinho
16/04/2025 | 07:14

Considerando o consumo de álcool entre jovens, chama atenção que a faixa etária de 18 a 24 anos, lidera o índice de consumo abusivo de álcool da pesquisa, em 2023, da Covitel, que constitui um inquérito telefônico que coleta dados sobre os principais fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) na população adulta do Brasil. Tal estudo foi desenvolvido durante a pandemia de Covid-19. Além da já reconhecida predisposição genética para a dependência ao álcool, outros fatores podem estar associados: ansiedade, angústia, insegurança, fácil acesso ao álcool e condições culturais. E este é um assunto muito sério e delicado, e que está afetando os nossos jovens, ou seja, o consumo de álcool. Vale a pena conversar, discutir em família. Assim, o seu consumo, pode resultar em pancreatite crônica, miocardite alcoólica, úlcera, câncer no tubo gastrointestinal, entre outras sequelas. Dependendo da quantidade de álcool ingerida em um curto espaço de tempo, as implicações podem acarretar em coma alcoólico e até em morte. Façamos uma reflexão se isto não está acontecendo no seu bairro, na sua rua, na sua vizinhança ou mesmo dentro de seu lar. Pesquisas apontam que as farras que os adolescentes costumam fazer pode prejudicar sua memória durante anos, por causa do álcool que consomem. Muitos jovens de até 12 anos já estão sendo tratados por alcoolismo e os cientistas comprovaram em seus estudos, que o cérebro deles passará por uma deterioração, antes mesmo de alcançarem os 20 anos. Os pesquisadores das Universidades de Northumbia e de Keele afirmaram durante uma conferência da British Psychological Society, que o hábito de consumir bebidas alcoólicas pode ser prejudicial para cérebros que ainda estão se desenvolvendo.

Já o pesquisador Thomas Heffernan postula que há evidência de que o excesso de álcool em festas causa danos no cérebro dos jovens, porque ainda está em desenvolvimento. O estudo comparou a memória de jovens entre 16 e 19 anos, divididos em dois grupos. O primeiro era formado por adolescentes que bebiam, em média, 15 unidades de álcool em uma só noite, o equivalente a 11 doses de uísque de 35ml, duas vezes por semana. O segundo grupo reunia jovens que não bebiam exageradamente. Os adolescentes foram testados três a quatro dias depois da última vez que haviam bebido, para que seus organismos estivessem livres do álcool. É importante entender que o alcoolismo é doença e não vício. Portanto, sendo doença, nada tem a ver com moralidade ou caráter. O alcoolismo é a terceira doença que mais mata no mundo, sendo superada apenas pelas doenças do coração e do câncer. Em face da importância do assunto, não é de nenhum desdouro orientar esses jovens, e todas as outras pessoas alcoólatras a procurarem, por exemplo, grupos como os (AA) Alcoólicos Anônimos. Entidade essa que vem prestando relevantes serviços desde 1935. Portanto, há décadas, sempre se preocupando em salvar vidas. Enalteço todos aqueles que dedicam suas vidas em prol do belíssimo serviço que prestam neste jaez. Acima de tudo, meus parabéns àqueles que têm coragem de procurá-los e pedir ajuda. E depois resistirem ao “primeiro gole”.

cerveja 1
jovens, chama atenção que a faixa etária de 18 a 24 anos, lidera o índice de consumo abusivo de álcool, segundo pesquisa. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil