Jamais deve haver falta de ética profissional dos que militam na Justiça. Exemplo de falta de ética, é quando por exemplo, os profissionais do Direito enveredam por instruírem vítimas, acusados, testemunhas, declarantes etc. a darem depoimentos, apresentando versões que não correspondem a verdade. Em que pese os problemas que a vida profissional quotidianamente apresenta, é possível e deve-se viver dentro de um comportamento ético, porquanto este constituir instrumento necessário capaz de afastar as impurezas e as imperfeições, no percurso evolutivo do ser humano e aprimoramento da sua atividade profissional. Não se pode fugir da responsabilidade profissional diante dos próprios erros. Deve-se sim, confessá-los humildemente, pois assim eleva-se as virtudes, aprimora-se a atividade e enobrece a profissão. Principalmente quando nos deparamos com tantas situações na estrada da vida, notadamente com a falta de ética profissional de alguns, que muitas vezes perdem a tranquilidade, quando enveredam por orientarem de forma equivocada, forjando mentiras processuais, na vã tentativa de nodoar o princípio da verdade real, com a clara intenção de iludir as consciências dos julgadores, e obter a impunidade indesejada, fazendo assédio processual. Em assim agindo desprezam o método ideal que é o de preservar a verdade como estímulo, recomeçando, de imediato, a caminhada da ampla defesa e do contraditório. Eles se precipitam e produzem uma ação irrefletida de doloroso arrependimento, provocando uma violência que consiste num dano irreparável ao processo.
Quando não zelam e nem tampouco medem as consequências de seus atos, provocados muitas vezes por uma conduta açodada, que atinge um nível de desespero, a falta de ética se avizinha, quando o correto no momento de sub judice, como técnica profissional, deve-se recorrer à prece do silêncio e da meditação. Não devem jamais perderem a esperança na verdade, pois há sempre solução para os casos que se mostram insolúveis, aguardando serenamente o momento oportuno para se manifestarem, que não é outro senão com o trânsito em julgado do caso. Assim, ao orientarem pessoas para terem um comportamento de modo a inovar nos autos, menosprezam a Justiça, principalmente o Estado-Juiz, e porque assim agem ficam vulneráveis e demonstram suas falhas e imperfeições. No labirinto de uma atuação técnica processual, eles devem sempre se pautarem com a ética profissional, acendendo a luz da fé e da esperança na verdade, e assim removendo a descrença na Justiça dos homens. Não devem jamais diante dos empecilhos que envolvem os autos, seja em quaisquer circunstâncias perderem a serenidade e a harmonia, forças matrizes da verdade que deve ser buscada em cada juízo do julgador e por cada instância do percurso procedimental.
Anísio Marinho Neto é professor e procurador de Justiça
