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Só os bolsonaristas Girão e Gonçalves votaram contra a maior reforma econômica feita nas últimas décadas

Confira a coluna de Opinião deste sábado 8 e domingo 9, que trata sobre o isolamento dos bolsonaristas Girão e Gonçalves na votação da Reforma Tributária, entre outros temas
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08/07/2023 | 09:15

Eram duas horas da manhã quando a votação da reforma tributária foi concluída em 2º turno na Câmara dos Deputados. Foram 375 votos a favor. No 1º turno, haviam sido 382 votos. A reforma tributária, adiada por três décadas, teve 74 votos a mais do que o necessário no 1º turno e 67 a mais no 2º, atraiu partidos de direita e teve até votos do PL, onde havia mobilização do extremista de direita Jair Bolsonaro para o voto contra.

Da bancada potiguar, dos quatro nomes hoje do PL apenas os bolsonaristas raízes General Girão e Sargento Gonçalves acompanharam a decisão do partido e votaram contra o texto. O ex-governador Robinson Faria, estreante na Câmara dos Deputados, votou com a base governista. Ele é pai do ex-ministro bolsonarista Fábio Faria, que este ano assumiu o gerenciamento das relações institucionais no banco BTG Pactual. De saída do PL, o deputado João Maia também votou sim e deve oficializar nos próximos dias que vai integrar uma sigla da base do governo Lula.

Bolsonaristas, os deputados General Girão e Sargento Gonçalves foram os únicos da bancada do RN que votaram contra a Reforma Tributária na Câmara dos Deputados | Foto: Reprodução
Bolsonaristas, os deputados General Girão e Sargento Gonçalves foram os únicos da bancada do RN que votaram contra a Reforma Tributária na Câmara dos Deputados | Foto: Reprodução

Foi uma vitória expressiva do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do Governo Lula. Entre as qualidades do que foi aprovado está a simplificação, a migração para o modelo vencedor no mundo, o aumento da produtividade, pensar uma saída para a Zona Franca de Manaus e o começo de aumento de mais justiça tributária. É importante dizer ainda que a reforma não deve ter problema em passar no Senado. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), é um reformista, e deve dar prioridade ao texto no segundo semestre.

PRESTÍGIO

Desembarcaram ontem no Rio Grande do Norte e foram recebidos pela governadora Fátima Bezerra (PT) e o vice Walter Alves (MDB) o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), o ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, e o governador do Amapá, Clécio Luís. Eles vieram conferir uma experiência de sucesso com usinas de dessalinização. A senadora Zenaide Maia (PSD) também acompanhou a agenda. Na foto, a governadora ao lado de Alcolumbre, articulador do Congresso.

ACESSO A ÁGUA

A comitiva também acompanhou a agenda na região do Mato Grande. A empresa State Grid Brazil Holding comanda projeto de dessalinização, com o uso da tecnologia, para garantir o acesso à água potável em quantidade e qualidade, beneficiando cerca de três mil pessoas na cidade de João Câmara. Autoridades do Amapá vieram conhecer essa experiência inovadora, na medida em que eles também têm problemas semelhantes de acesso à água.

UNIÃO

Mesmo após defender o adiamento da votação da reforma tributária, a maioria dos deputados do União Brasil votou por manter a análise do texto-base na quinta-feira 6. O adiamento da votação havia sido solicitado por meio de um requerimento, que acabou rejeitado pela Câmara. No entanto, durante a votação do requerimento que pediu o adiamento, a maioria dos deputados do União Brasil divergiu da nota divulgada pelo partido. Ao todo, 41 deputados votaram contra o requerimento de adiamento e 15, a favor. Os deputados Benes Leocádio e Paulinho Freire votaram a favor da reforma, como a maioria.

ARTICULAÇÃO

Dependendo das votações, o Governo Lula já tem maioria na bancada potiguar. Além dos petistas Fernando Mineiro e Natália Bonavides, também de cara já conta com os deputados Benes Leocádio e João Maia. Paulinho Freire, do União Brasil, fica na coluna do meio, mas sempre acompanha a bancada do União Brasil, que indicou ministérios. O deputado Robinson Faria não seguirá a linha radical do PL. Mostrou ontem, durante a reforma tributária, em que votou sim. Já oposição mesmo só os bolsonaristas General Girão e Sargento Gonçalves, do PL.

LIBERAÇÃO

Nos últimos dois dias, o Palácio do Planalto liberou valor recorde em emendas parlamentares: praticamente tanto quanto havia liberado nos outros 183 dias do Governo Lula. A liberação ajudou a mudar o destino da reforma tributária, aumentando as chances de aprová-la. Para o Rio Grande do Norte foram R$ 75 milhões, ficando entre os dez estados com os maiores valores liberados.

GIRA-GIRA

Depois da grande derrota da oposição na votação da reforma tributária, o deputado General Girão evitou criticar os colegas Robinson Faria e João Maia que votaram contra a orientação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mas, fez um post que chamou a atenção: “A batalha é só uma etapa. Para a guerra, estamos sempre prontos e operantes”. Girão ainda disse que não se venderia por verbas ou cargos. 

REAPROXIMAÇÃO

O presidente Lula da Silva (PT) se reuniu nesta semana, no Palácio do Planalto, com a presidente do SBT, Daniela Beyruti, e a apresentadora Patrícia Abravanel, ambas filhas de Silvio Santos. Durante a reunião, Silvio Santos ligou para Lula. A conversa entre os dois foi intermediada pelas filhas do apresentador. O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência, Paulo Pimenta, que também estava presente, afirmou que foi um “encontro institucional”. Patrícia Abravanel, que agora comanda o programa que já foi do pai, é casada com Fábio Faria, ministro das Comunicações no Governo Bolsonaro.

DERROTADA

A acachapante aprovação da reforma tributária na Câmara representou a primeira grande derrota de Jair Bolsonaro (PL) como líder da oposição, em um cenário em que mediu forças contra dois dos principais aliados quando presidente: Arthur Lira (PP-AL) e Tarcísio de Freitas (Rep-SP). Na votação, os 20 deputados do PL que não seguiram a recomendação do ex-presidente são, na maior parte, do Nordeste e integram o Centrão, não o “bolsonarismo raiz”.

ISOLADO

Após o desentendimento de Bolsonaro com o Tarcísio de Freitas, em função da reforma tributária, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, subiu o tom das críticas contra o ex-presidente. O deputado federal por São Paulo, classificou Bolsonaro como um líder de extrema direita e disse que ele está isolado. “Os episódios não isolam Bolsonaro, porque ele já se isolou e vem se isolando pelo seu próprio comportamento. Entregou a eleição para o Lula por causa do comportamento dele. Vem se isolando quando começa a brigar com o Judiciário, quando lá no início do governo briga com o Parlamento, quando ele é contra a vacina”, disse.

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