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Saúde

Saiba como se proteger da ameba comedora de cérebros

Infecção rara causada pela Naegleria fowleri tem sido associada ao aquecimento das águas e ao avanço dos métodos de diagnóstico
10/07/2026 | 14:53

A expansão dos casos de infecção causada pela Naegleria fowleri, conhecida como “ameba comedora de cérebros”, tem despertado preocupação entre pesquisadores de diferentes países. Embora a doença continue sendo considerada rara, especialistas observam que o microrganismo passou a ser identificado em regiões onde anteriormente era pouco frequente, além de ambientes que não eram tradicionalmente associados à infecção.

O aumento dos registros também tem sido atribuído às mudanças climáticas, que favorecem o aquecimento das águas, e ao aperfeiçoamento dos métodos de diagnóstico.

ameba

A infecção ganhou atenção após a morte de Jordan Smelski, então com 11 anos, que contraiu a doença durante uma viagem em família à Costa Rica, em 2014. O menino nadou em uma fonte de águas quentes durante as férias e, poucos dias depois, começou a apresentar fortes dores de cabeça, vômitos e alterações neurológicas.

Seu pai, Steve Smelski, relembra que o filho era saudável antes do episódio.

“Jordan nadou um dia, uma vez, e, agora, ele se foi.”

Os sintomas evoluíram rapidamente. Após ser internado, Jordan passou a apresentar alucinações e crises convulsivas. Sete dias e meio depois de nadar, morreu em decorrência da meningoencefalite amebiana primária, infecção cerebral extremamente agressiva causada pela Naegleria fowleri.

Segundo o pai, a doença destrói rapidamente o tecido cerebral.

“Ela leva seu cérebro embora, retira seus pensamentos, você deixa de ser quem é.”

A Naegleria fowleri é um organismo microscópico encontrado principalmente em lagos, rios, fontes de águas termais e piscinas abandonadas com água doce aquecida. A infecção ocorre quando a água contaminada entra pelo nariz, normalmente durante mergulhos ou brincadeiras aquáticas.

A ameba percorre o nervo olfatório até alcançar o cérebro, onde passa a destruir o tecido cerebral.

A doença não é transmitida pelo contato entre pessoas. Uma análise publicada em 2025 no Journal of Infection and Public Health identificou 488 casos registrados no mundo entre 1962 e 2023.

Historicamente, a maioria das infecções ocorreu no sul dos Estados Unidos, Austrália e Paquistão. Entretanto, pesquisadores observam uma expansão geográfica da doença.

Além da exposição durante atividades recreativas em águas doces aquecidas, a Naegleria fowleri também pode alcançar o cérebro durante procedimentos de irrigação nasal quando realizados com água contaminada.

Por isso, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) recomendam utilizar apenas água destilada, esterilizada ou previamente fervida e resfriada para esse tipo de procedimento.

Ao frequentar lagos, rios ou fontes termais, a orientação é reduzir ao máximo a entrada de água pelo nariz, utilizando clipes nasais.