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Longevidade

Depois dos 60, emagrecer pede cuidado com os músculos, e não só com o número da balança

Brasil tem cerca de 36 milhões de pessoas com 60 anos ou mais; nutricionista recomenda avaliação inicial e alerta que perder peso rápido nem sempre é bom resultado
Agora RN
11/09/2026 | 18:04

Ver a balança marcar cada vez menos costuma ser o sinal mais claro de que o esforço para emagrecer está dando certo. Depois dos 60 anos, porém, essa conta precisa levar em consideração algo que a balança, sozinha, não mostra: o que exatamente o corpo está perdendo. Emagrecer pode significar eliminar gordura, mas também pode vir acompanhado de perda de massa muscular.

Com a idade, conservar os músculos fica mais importante para manter a força, a mobilidade e a independência nas tarefas do dia a dia. Por isso, emagrecer nessa fase da vida pede uma abordagem diferente daquela que se concentra só na quantidade de quilos perdidos.

Casal de idosos caminha de costas por uma calçada estreita em rua arborizada, em dia de sol
Manter força, mobilidade e autonomia pesa tanto quanto o número da balança depois dos 60 anos — José Aldenir

O tema ganha peso com o envelhecimento da população brasileira. O Brasil já soma perto de 36 milhões de habitantes com 60 anos ou mais, algo como 17% da população, de acordo com números de 2024 do Ministério da Saúde.

Para a nutricionista Fernanda Lopes, responsável técnica da Six Clínic, plataforma on-line que atende pessoas com obesidade e sobrepeso, definir uma meta de emagrecimento para esse público exige, antes de tudo, conhecer as condições de cada paciente. “Histórico de saúde, medicamentos em uso e composição corporal são alguns dos fatores que ajudam a definir a conduta mais adequada. Com o passar dos anos, preservar a musculatura se torna tão importante quanto reduzir gordura. Por isso, não devemos olhar apenas para os quilos perdidos, mas também para a manutenção da força, da mobilidade e da independência”, diz ela.

Composição corporal, um dos fatores citados pela nutricionista, é a proporção de gordura, músculos, ossos e água que forma o organismo.

A avaliação inicial está entre os primeiros cuidados que a nutricionista recomenda. Antes de estabelecer quantos quilos a pessoa quer perder, é preciso saber como o organismo está naquele momento. Esse levantamento orienta a alimentação e define parâmetros que permitem acompanhar não só o peso, mas também a maneira como o corpo reage às mudanças. “Nem sempre uma queda rápida na balança representa um bom resultado, a avaliação inicial nos ajuda a definir uma alimentação compatível com as necessidades do paciente e acompanhar como o organismo responde às mudanças propostas”, orienta.

Rapidez, portanto, não deve ser a única medida de sucesso. Perder peso depressa à custa da musculatura pode ser especialmente ruim para quem precisa de força para andar, subir escada, carregar objetos e dar conta das tarefas sem depender de ninguém.

Com acompanhamento profissional, é possível monitorar a evolução do emagrecimento e ajustar o que for preciso ao longo do tratamento. Para os mais velhos que têm dificuldade de locomoção ou moram longe dos profissionais, a telemedicina, que é o atendimento de saúde feito a distância, pode ajudar a manter o cuidado em dia e a tirar dúvidas.

A organização da alimentação também conta. Comer em horários regulares ajuda a evitar longos intervalos sem refeição, fome exagerada e aquele beliscar constante ao longo do dia. Não é preciso seguir um relógio rígido, e sim criar uma rotina saudável, que ajude a reconhecer melhor a fome e a controlar o tempo entre uma refeição e outra.

Fazer parte de grupos ou de comunidades de pessoas com objetivos parecidos também pode dar apoio. Trocar experiências ajuda a lidar com viagens, festas, práticas esportivas e outros momentos que fogem do planejado, sem que um deslize isolado vire motivo para desistir de todo o processo de emagrecimento.

Com o envelhecimento, o emagrecimento passa a ter outras réguas. O peso segue servindo de indicador, só que não conta mais, sozinho, a história inteira. Para quem atravessa essa fase, manter músculos, movimento e autonomia pode valer tanto quanto ver um número menor na balança.