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Saúde

Wegovy tira 40% das crianças de 6 a 11 anos da faixa de obesidade em um ano de tratamento

No grupo que recebeu placebo, com dieta e exercício, nenhuma criança deixou a classificação; o remédio hoje só tem autorização a partir dos 12 anos
Agora RN
10/09/2026 | 17:32

Um ensaio clínico inédito mostrou efeito do Wegovy sobre a obesidade em faixa etária onde o remédio ainda não é autorizado: a de 6 a 11 anos de idade. Das crianças que receberam o medicamento, cerca de 40% saíram da classificação de obesidade depois de aproximadamente um ano de uso.

Fabricado pela Novo Nordisk, o Wegovy tem hoje autorização de uso a partir dos 12 anos. O estudo reuniu 165 crianças e é o primeiro a medir o que a semaglutida, princípio ativo do remédio, faz em quem ainda não chegou aos 12. Quando a pesquisa começou, 85% dos participantes tinham índice de massa corporal, o IMC, na faixa da obesidade grave.

Caixa e caneta aplicadora do medicamento Wegovy, à base de semaglutida
Wegovy é um medicamento à base de semaglutida utilizado no tratamento da obesidade — Foto: Reprodução

Quem recebeu o Wegovy tomou uma aplicação por semana. A dose máxima foi de 1,7 mg ou de 2,4 mg de semaglutida, e essa definição levou em conta o peso de cada criança no início do acompanhamento.

O contraste apareceu no outro grupo. Entre as que receberam placebo, nenhuma criança saiu da classificação de obesa enquanto o estudo durou — e isso apesar de elas também terem seguido dieta com corte de calorias e participado de programa de exercícios.

Além da perda de peso, os pesquisadores olharam para segurança e tolerabilidade do medicamento. Nesses dois aspectos, o que se viu foi consistente com o que já havia sido observado em estudos anteriores, feitos com adolescentes e com adultos.

A obesidade infantil preocupa por dois motivos. Um deles é o estrago que a condição já provoca durante a própria infância. O outro é a associação com maior predisposição à obesidade quando a criança chegar à vida adulta e ao aparecimento precoce das complicações que vêm junto.

O tamanho do problema aparece no atlas mais recente da Federação Mundial da Obesidade: em 2025, estimava-se que 177 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos viviam com obesidade. Até 2040, a projeção é de que esse contingente chegue a 228 milhões.

No caso brasileiro, o cálculo aponta que, também até 2040, metade das crianças e dos adolescentes na faixa de 5 a 19 anos estará acima do peso. E, dentro desse conjunto, 11,9% deverão se enquadrar como obesos.

O detalhamento dos resultados só vem em novembro, na reunião que a The Obesity Society realiza nos Estados Unidos. Não há, por enquanto, previsão de quando a fabricante pedirá às agências reguladoras a liberação do Wegovy para menores de 12 anos.

O medicamento pertence à classe dos análogos de GLP-1, que vem mudando o tratamento da obesidade. Essas substâncias imitam o que o hormônio GLP-1 faz no corpo, e a ação se dá em três frentes: no pâncreas, fazem produzir mais insulina; no estômago, retardam a digestão; e, no cérebro, mexem com a sensação de saciedade.

Por aqui, um detalhe de mercado pode pesar no acesso. A patente da semaglutida caiu em março, o que liberou a chegada de versões similares e genéricas ao mercado brasileiro — com possibilidade de preço mais baixo.