BUSCAR
BUSCAR
Economia

Alta do aluguel residencial perde força e cai para 0,29% em agosto, menos da metade da taxa de julho

Belo Horizonte foge da média nacional e acumula 8,47% em 12 meses; Porto Alegre é a única das quatro capitais pesquisadas com queda no mês
Agora RN
10/09/2026 | 18:18

O reajuste do aluguel residencial perdeu fôlego em agosto — mais um sinal de que o mercado vem se acomodando depois da aceleração registrada nos últimos meses de 2025. O Ivar, sigla do Índice de Variação de Aluguéis Residenciais, subiu 0,29% em agosto. É menos da metade dos 0,66% que ele havia marcado em julho. Quem calcula o indicador é o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, o FGV Ibre.

Na conta de 12 meses, porém, quase nada mudou: a variação foi de 5,08% para 5,09%. Ou seja, o preço continua subindo, só que sem voltar, por enquanto, ao ritmo do fim de 2025. Em dezembro daquele ano, o acumulado de 12 meses tinha chegado a 8,85%. Já em janeiro deste ano, o índice havia baixado para 5,62%.

Vista aérea de área urbana com prédios e casas
Ivar avança 0,29% em agosto, menos da metade da taxa de julho — José Aldenir

A leitura que a FGV faz é a de que dois fatores vêm aliviando a pressão da procura sobre o imóvel destinado à locação: de um lado a desaceleração da atividade econômica, de outro o custo do crédito, que segue elevado.

“O Ivar Brasil encerrou agosto sustentando o processo de moderação que já vinha se desenhando desde o pico observado no fim de 2025, com a taxa em 12 meses recuando de patamares acima de 8% para o intervalo em torno de 5%”, afirma o economista Matheus Dias, do FGV Ibre.

O comportamento, contudo, não é o mesmo em todo lugar. Das quatro capitais que a FGV pesquisa, três tiveram aumento de aluguel em agosto. Belo Horizonte liderou, com 1,05% de alta; São Paulo veio depois, com 0,30%; e o Rio de Janeiro, com 0,24%. Porto Alegre destoou: lá o índice caiu 0,14%.

O 0,29% de agosto ficou perto do que se viu em agosto de 2025, mês em que o Ivar avançou 0,28%. A trajetória de 2026, contudo, tem sido cheia de sobressaltos. O índice subiu 0,65% logo em janeiro; caiu para 0,30% em fevereiro; foi a 0,40% em março e a 0,52% em abril; recuou a 0,33% em maio e a 0,10% em junho; e voltou a saltar em julho, para 0,66%, até chegar à desaceleração do mês passado.

Para a fundação, o movimento atual combina com uma procura menos pressionada. Juro alto encarece tanto o financiamento para comprar imóvel quanto as demais linhas de crédito, e isso ajuda a frear a atividade econômica. A combinação mexe com a decisão de família e de empresa e contribui para limitar a capacidade de absorver reajuste novo.

Dias adverte, entretanto, que moderação não é sinônimo de queda generalizada de valor. Em análise sobre julho, ele já havia listado fatores que barram uma redução mais forte. Um deles é este: parte das unidades residenciais novas que se compram tem como destino a ocupação pelo próprio comprador, e por isso a ampliação da oferta de imóvel para locação acontece de maneira gradual.

Outro elemento é a fatia de imóveis que vai para a locação temporária em certos mercados urbanos. Essa modalidade pode retirar unidade da oferta tradicional de longo prazo e contribui para sustentar o valor que se cobra do inquilino nas regiões em que a procura permanece elevada.

O cenário, assim, combina forças que puxam em sentidos opostos. De um lado, a demanda enfraquecida limita reajuste mais pesado. De outro, a restrição de oferta em determinados mercados dificulta uma queda mais ampla de preço.

Vale lembrar, por fim, o que exatamente o Ivar mede. Criado pela FGV para acompanhar a evolução do aluguel residencial, o indicador busca o valor efetivamente praticado nos contratos: usa informação de locações intermediadas por administradora de imóveis, em vez de se limitar ao preço que o proprietário anuncia.

É no recorte de 12 meses que a distância entre as capitais fica mais visível. Belo Horizonte registra a maior alta acumulada dos quatro mercados que a fundação acompanha: 8,47% até agosto. Em julho, esse mesmo índice mineiro marcava 7,77%. Essa aceleração reforça a avaliação da FGV de que a condição local de oferta e de procura pode produzir resultado bem diferente da média nacional.

“Esse quadro nacional de acomodação, no entanto, convive com dinâmicas locais bastante distintas: Belo Horizonte segue na contramão, com reajustes ainda em aceleração e evidenciando um mercado de locação mais apertado, possivelmente refletindo restrições de oferta”, afirma Dias.

São Paulo também acelerou no acumulado de 12 meses, ainda que em patamar inferior: em julho a taxa paulistana era de 4,33% e, em agosto, passou a 4,58%.