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Turismo do RN cresce 9,9% em julho, a maior alta entre 17 estados, e hotelaria cobra mais voos

Avanço interrompe três meses de queda e fica 7,2 pontos acima da média do País; Emprotur credita a alta à promoção em feiras e junto a companhias aéreas
Agora RN
10/09/2026 | 18:24

O turismo potiguar teve em julho o maior crescimento entre os 17 estados que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acompanha. No Rio Grande do Norte, o volume das atividades turísticas avançou 9,9% na comparação com junho, ficando à frente da Bahia, conforme a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), que o IBGE divulgou na quinta-feira 10. O cálculo usa ajuste sazonal, técnica que desconta os efeitos típicos de cada época do ano para permitir a comparação entre meses.

Esse desempenho encerra uma sequência de três meses no vermelho. As quedas do índice potiguar tinham sido de 3,7% em junho, de 0,1% em maio e de 0,6% em abril. Com a virada de julho, o Estado ficou acima da média do País, que cresceu 2,7% no mesmo intervalo, segundo o IBGE — uma diferença de 7,2 pontos percentuais a favor do Rio Grande do Norte.

Dois bugues com turistas sentados na parte de trás seguem por estrada de terra alaranjada em direção a dunas de areia branca, com vegetação dos dois lados
Turistas em bugues seguem por estrada de areia em direção às dunas — José Aldenir

Das unidades da Federação pesquisadas, 11 tiveram alta entre junho e julho. No Nordeste, além do Rio Grande do Norte, a Bahia avançou 8,6% e Alagoas, 0,6%. Santa Catarina e Rio de Janeiro ficaram estáveis, ambos com variação de 0,0%. Quatro estados recuaram: o Amazonas caiu 0,2%, Pará e Pernambuco perderam 1,1% cada um, e o Ceará recuou 1,8%.

Frente a julho de 2025, as atividades turísticas do Rio Grande do Norte cresceram 11,4%. É o segundo melhor desempenho entre os estados pesquisados nessa base, atrás só da Bahia, que subiu 18,6%. De janeiro a julho, o turismo potiguar acumula alta de 1,7% sobre os mesmos sete meses do ano passado, e, nos 12 meses encerrados em julho, o avanço é de 2,1%.

Como a recuperação ficou concentrada num único mês, depois de um segundo trimestre negativo, representantes do setor avaliam que ainda é preciso acompanhar os próximos levantamentos para saber se a trajetória mudou de forma duradoura.

A hotelaria põe a conectividade aérea no topo da lista de reivindicações. O presidente da seção potiguar da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RN), Edmar Gadelha, fez recentemente uma manifestação pública em que associou mais voos a mais visitantes chegando ao Estado. “Sem conectividade aérea, não há como ampliar de forma consistente o número de turistas que chegam ao Rio Grande do Norte”, afirmou. Para o dirigente, o crescimento precisa vir acompanhado de ações de promoção do destino e de uma oferta regular de voos durante o ano inteiro.

Na leitura da seção potiguar da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav-RN), o resultado reflete também o trabalho conjunto dos segmentos do turismo. O presidente da entidade, Antonio Neto, disse que o esforço articulado de governo, empresas e associações amplia o espaço do Estado no mercado. “A união das entidades de classe fortalece o turismo potiguar e permite que o Rio Grande do Norte seja apresentado de maneira mais competitiva nos mercados emissores”, declarou — mercados emissores são as regiões de onde partem os turistas.

Para as agências de viagens, a continuidade da alta depende de consolidar produtos turísticos, qualificar a oferta e vender o destino dentro e fora do País.

Na avaliação do presidente da Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur), Raoni Fernandes, o avanço se explica pela participação do Rio Grande do Norte em feiras e encontros de negócios, além das ações voltadas a operadoras de turismo e a companhias aéreas. “Esse resultado mostra que o trabalho de promoção e de posicionamento do Rio Grande do Norte está chegando ao mercado e se convertendo em fluxo turístico”, disse. Segundo ele, a divulgação do Estado busca tanto o público brasileiro quanto o estrangeiro.

Vale entender o que o número mede. O índice do IBGE acompanha o volume de serviços prestados por empresas ligadas ao turismo: agências de viagens, locadoras de automóveis, serviços recreativos, culturais e esportivos, hotéis, restaurantes e o transporte aéreo e rodoviário de passageiros. O indicador, portanto, não se resume à quantidade de turistas que chegam ao Estado — ele mede a atividade econômica que o turismo movimenta.

O bom resultado se repetiu no conjunto dos serviços. O volume total do setor no Rio Grande do Norte cresceu 3,9% entre junho e julho, também depois de três meses seguidos de queda, o que representa o terceiro maior avanço do País — só o Amazonas, com alta de 6%, e o Espírito Santo, com 4,3%, cresceram mais. Frente a julho de 2025, os serviços potiguares subiram 7,1%. No acumulado de janeiro a julho, a alta é de 1,8%, e, nos 12 meses encerrados em julho, de 1,5%.

A PMS mostra como se comportam, mês a mês, as principais atividades não financeiras das empresas de serviços, com exceção de saúde e educação, e complementa o mapeamento estrutural que o IBGE faz na Pesquisa Anual de Serviços. Os dados completos estão no Sistema IBGE de Recuperação Automática, conhecido pela sigla Sidra. A próxima divulgação da pesquisa, com os números de agosto, está marcada para 14 de outubro.