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Teatro

Musical sobre a princesa Diana ocupa o Teatro Alberto Maranhão em outubro com seis sessões

Montagem brasileira dirigida por Tadeu Aguiar gasta 1,5 km de tecido em 250 figurinos e ergue no palco um céu com 2 mil pontos de fibra ótica
Agora RN
10/09/2026 | 18:18

São 320 barras de metal na estrutura do cenário, penduradas em 400 metros de cabo de aço. É por aí que se mede o tamanho do musical sobre Diana Spencer que chega a Natal em outubro. “Diana, a princesa do povo: um musical da Broadway” ocupa o palco do Teatro Alberto Maranhão entre os dias 9 e 12 de outubro, em seis sessões, e propõe rever a trajetória da princesa fora do circuito dos palácios e das capas de jornal — aquela vida onde o protocolo da realeza convivia com uma intimidade devassada pelo mundo inteiro.

A produção local do espetáculo é da Idearte Entretenimento. O espetáculo passeia por fases diversas da biografia: o vínculo com a família, os atritos dentro da realeza britânica, o peso de viver sob exposição permanente. Também aparecem na narrativa a busca dela por autonomia e a maneira como as próprias fragilidades acabaram aproximando-a de milhões de pessoas espalhadas pelo planeta.

Cena do musical sobre Diana, com atriz sobre uma cadeira e músicos ao redor no palco
Musical que revisita a trajetória de Diana Spencer chega ao Teatro Alberto Maranhão para seis apresentações em outubro — Foto: Divulgação

Não se trata de copiar aquilo que a produção original da Broadway pôs em cena. A versão feita aqui, dirigida por Tadeu Aguiar, oferece leitura própria e desloca para o centro da história a mulher escondida atrás de uma das figuras mais reconhecidas que a monarquia britânica já produziu.

Chegar a essa Diana mais íntima exigiu montagem de grandes proporções. Cenografia, roupa, luz e caracterização foram pensadas para dar conta de momentos diferentes da vida dela e para reconstituir o mundo da realeza sem cair na simples repetição dos ambientes que fotografia e televisão tornaram familiares.

Além das barras e dos cabos, a cenografia consome 170 metros quadrados de tela galvanizada e mais de 750 metros entre tela de viveiro e tela agrícola. Somam-se a isso 560 metros de tecido nobre, categoria em que entram o veludo, o oxford e o jacquard.

Outra dimensão vem da iluminação: passam de 200 os equipamentos empregados na produção, e uma centena de refletores atende só ao cenário. Sobre a cabeça dos atores, um céu formado por mais de 2 mil pontos de fibra ótica muda de atmosfera à medida que a narrativa avança.

O guarda-roupa virou operação em separado. Foram cerca de 1,5 quilômetro de tecido para costurar mais de 250 figurinos, que levaram ainda 850 botões, 15 quilos de pedraria, 60 metros de zíper e mais de uma centena de pares de sapato. Essas peças cobrem estilos e períodos ligados à monarquia do Reino Unido, e servem para marcar como a personagem se transforma no decorrer do enredo.

Até o cabelo exigiu um trabalho particular. A atriz que faz a princesa recebeu quatro perucas de fio natural, montadas uma a uma; para chegar perto do tom que Diana tinha, foram necessários cinco processos de descoloração. Contando o elenco inteiro, o visagismo do espetáculo soma 58 perucas.

Toda essa engenharia ajuda a dar a medida do desafio, que é transformar em personagem uma figura documentada como poucas. Por décadas, cada vestido, cada penteado, cada gesto e cada aparição pública de Diana foram fotografados e repetidos à exaustão. É desse retrato conhecido que o musical parte — para tentar chegar aos conflitos que se davam justamente quando não deveria haver câmera alguma por perto.

Assina a produção nacional a Estamos Aqui Produções, casa de montagens como “Quase Normal”, “A Cor Púrpura” e “Querido Evan Hansen”. Quem apresenta o espetáculo são o Ministério da Cultura e a Bradesco Seguros, com dinheiro da Lei Rouanet. A direção musical cabe a Thalyson Rodrigues; a cenografia, a Natália Lana; o figurino, a Ney Madeira e a Dani Vidal; e a coreografia, junto com a direção de movimento, fica com Sueli Guerra. Anderson Bueno e Cristiane Regis respondem pelo visagismo, Serginho pelo desenho de luz, e o desenho de som é da dupla Paulo Altafim e Gabriel D’Ângelo. Norma Thiré coordena a produção; Eduardo Bakr assina a produção geral.

A temporada natalense abre às 20h de sexta-feira 9. O sábado 10 recebe duas apresentações, uma às 16h e outra às 20h; o domingo 11 tem mais duas, às 15h e às 19h; e o musical se despede às 19h de segunda-feira 12. Quem quiser assistir compra ingresso no IDT Tickets — a classificação é livre.

Passadas décadas de sua morte, Diana continua sendo objeto de livro, de documentário, de série e de produção teatral. E é no contraste que sustentou esse interesse todo que a montagem brasileira aposta ao subir ao palco do Alberto Maranhão: de um lado a princesa que o mundo achava conhecer, de outro a mulher que tentava erguer uma vida sua diante dos olhos de milhões.