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Parnamirim

Menino estava sob a guarda do pai e arma era de brinquedo, diz mãe

Mulher prestou esclarecimentos após viralizarem imagens da criança dançando sobre o teto de um carro e exibindo uma arma; menino será encaminhado para acompanhamento psicológico
Agora RN
07/10/2026 | 02:13

A mãe do menino de 9 anos que aparece em um vídeo segurando objetos semelhantes a armas durante uma concentração de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), em Parnamirim, compareceu ao Conselho Tutelar para prestar esclarecimentos sobre o episódio. Segundo a conselheira tutelar Amanda Melo, a mulher relatou que a criança estava sob os cuidados do pai no fim de semana em que participou do evento.

O Conselho Tutelar tomou conhecimento do caso após a repercussão das imagens e procurou informações na delegacia. Segundo Amanda, a mãe foi encontrada no local e depois compareceu ao órgão. “Coincidentemente, nós encontramos a mãe na delegacia e ela veio até o Conselho Tutelar prestar esclarecimento. Segundo ela, a criança estaria aos cuidados do pai no final de semana e foi levado pelo pai para essa comemoração”, afirmou.

Montagem de quadros do vídeo mostra criança sobre um veículo segurando objetos semelhantes a armas
Vídeo mostra o menino dançando sobre um veículo e segurando objetos — Foto: Reprodução

O Conselho apurou que os objetos que aparecem nas imagens eram armas de brinquedo. “A criança, instigada pelo seu responsável, pelas pessoas que estavam ali, sobe em cima do capô do carro e faz menção à violência, usando armas que nós descobrimos aqui que eram armas de brinquedo”, declarou Amanda.

O vídeo mostra o menino dançando sobre um veículo e segurando objetos semelhantes a armas durante uma concentração na Avenida Castor Vieira Régis, no bairro Cohabinal. Inicialmente, as imagens foram associadas a uma comemoração realizada após o primeiro turno das eleições, no domingo 4. Pessoas que afirmam ter estado no local, porém, disseram que o registro foi feito no sábado 3, véspera da votação.

Nas imagens, a criança veste uma camisa da Seleção Brasileira, aparece cercada por adultos e ergue um objeto semelhante a uma pistola. Em outro momento, segura o que aparenta ser uma imitação de fuzil. O vídeo ganhou repercussão nas redes sociais depois da eleição.

Segundo Amanda, a mãe relatou que o menino ficou abalado após ter acesso a comentários sobre o episódio nas redes sociais. “Ele teve acesso às mensagens, mensagens até maldosas, falando com relação aos pais, trazendo muitas coisas horríveis, inclusive trazendo para a questão do viés político”, disse.

A conselheira afirmou que colegas da escola também reconheceram o menino após a circulação das imagens. “Desde já a gente quer aqui deixar claro que a proteção à criança está acima de bandeiras partidárias. Então, ele vem sofrendo um pouco com os ataques que os pais vêm sofrendo na rede social”, declarou.

O Conselho Tutelar informou que nenhuma medida de penalização foi aplicada à mãe. Segundo Amanda, a atuação do órgão neste momento é voltada à proteção da criança, enquanto a investigação das circunstâncias do episódio cabe à Polícia Civil.

“A mãe será encaminhada, juntamente com a criança, as medidas protetivas serão aplicadas, de acompanhamento psicológico para a criança”, afirmou. A mulher também foi orientada a buscar a regularização judicial da guarda do filho. Conforme a conselheira, não havia uma regularização e o pai ficava com o menino nos fins de semana.

Amanda afirmou que a criança foi colocada em situação de risco porque os objetos de brinquedo poderiam ser confundidos com armas verdadeiras. “Quando ela está com aquele simulacro, aquele brinquedo, poderia, de certa forma, ser confundido com a arma e poderia até acontecer algo pior”, disse.

Questionada sobre a possibilidade de o episódio ser considerado incentivo à violência, a conselheira respondeu: “Com certeza, com certeza. Usar a criança em apologia à violência é crime”. Ela também orientou pais e responsáveis a não incentivarem crianças a utilizar simulacros ou reproduzir gestos relacionados à violência.

O vereador de Parnamirim Gabriel César (PL), que foi candidato a deputado estadual e era um dos organizadores do evento, afirmou que o objeto segurado pelo menino era uma arma de brinquedo e que a concentração ocorreu antes da eleição. “Essa criança estava com arma de brinquedo. Inclusive, eu tirei uma foto com essa criança. Estava comemorando lá com seus pais o grande evento que nós fizemos”, declarou. Ele criticou a repercussão, questionou “qual o problema de estar segurando uma arma de brinquedo num evento desse?” e disse que pretende oferecer apoio jurídico aos responsáveis pela criança, caso precisem.

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte que a situação será apurada pela 17ª Delegacia de Polícia de Parnamirim. Segundo a corporação, serão realizadas “diligências para apurar a situação, incluindo a coleta e análise das imagens disponíveis, a fim de esclarecer as circunstâncias do ocorrido”.

Amanda afirmou que caberá à Polícia Civil ouvir os responsáveis e decidir os próximos passos da investigação. “Esse papel fica com a polícia, quem está investigando, quem vai ouvir o pai, ouvir a mãe, é a polícia”, declarou.

A conselheira também pediu que a população evite julgamentos contra a família nas redes sociais. “A polícia está investigando e em dado momento com certeza haverá um desfecho. Nós não sabemos ainda porque isso fica com a polícia”, afirmou.