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Longevidade

Expo Longevidade reúne especialistas em Natal nos dias 16 e 17 para discutir saúde, tecnologia e negócios 60+

Público com mais de 50 anos movimenta mercado estimado em R$ 1,9 trilhão; geriatra Ângela Costa lança livro, e inscrições são feitas pelo Sympla
Agora RN
11/09/2026 | 16:29

Natal recebe na quarta-feira 16 e na quinta-feira 17 de setembro a Expo Longevidade 2026, encontro que vai reunir especialistas de várias áreas para discutir novas formas de entender o envelhecimento. O evento acontece no Praiamar Arena Hotel, com atividades a partir das 8h nos dois dias, e adota como conceito a frase “Qualidade de vida não tem idade”. As inscrições estão abertas no Sympla, na página da Expo Longevidade 2026.

Parte-se da premissa de que viver mais já não se resume a somar anos. Com uma população que envelhece e continua ativa durante mais tempo, ganha força o debate sobre o que fazer com essas décadas a mais: como manter a independência, zelar pela saúde, conviver com a tecnologia, descobrir novos propósitos e, em alguns casos, abrir um negócio.

Plateia de pessoas mais velhas sentada em auditório assiste a um palestrante no palco diante de telões; em primeiro plano, duas mãos seguram um celular fotografando a cena
Público acompanha palestra num auditório durante edição anterior da Expo Longevidade, em imagem de arquivo — Foto: Divulgação

A lista de temas previstos é longa. Passa por bem-estar, sono, alimentação, exercício, saúde do corpo e da mente, autonomia, propósito, tecnologia e empreendedorismo. A programação combina palestras, painéis e oficinas com pitches — apresentações rápidas de projetos e de negócios —, além de atrações culturais e de uma feira de produtos e serviços.

Por trás da discussão há uma mudança demográfica com efeito direto na economia. O País já soma mais de 32 milhões de habitantes com 60 anos ou mais. Quando a conta inclui todos os que passaram dos 50, o número sobe para mais de 55 milhões de brasileiros. Estima-se que esse público movimente um mercado de R$ 1,9 trilhão, e é essa força de consumo que vem obrigando as empresas a rever velhas ideias sobre o cliente mais velho.

Um desses estereótipos estará em debate — o que envolve a relação entre quem tem mais de 60 anos e a tecnologia. Para tratar do tema, vem de São Paulo o fundador da Digitalidade, startup — empresa nascente de base tecnológica — que presta assistência nessa área ao público 60+, David Villalva. Ele fará a palestra “Seu cliente 60+ não é digital. É tecnológico e isso é uma oportunidade”. Villalva é especialista em marketing, negócios e estratégia de marca e trabalha há mais de dez anos com a chamada economia prateada, o conjunto de atividades voltadas a quem tem mais idade.

Villalva quer marcar uma diferença à primeira vista pequena, mas capaz de mudar o jeito de desenhar produtos e serviços para esse público. Quem passou dos 60 usa tecnologia no dia a dia, só que o uso costuma nascer de uma necessidade prática ou de um objetivo concreto. Por isso, rotular esse consumidor como “digital” não resolve a questão. Para empresas e startups, entender por que e de que maneira ele recorre a certas ferramentas pode abrir caminho para serviços e experiências mais bem ajustados a uma população de vida mais longa.

A longevidade também será abordada pelo lado da medicina e do cuidado integral. No dia 17, o médico mastologista e oncologista Maciel Matias, criador do método Nossa Vida Integrada, apresenta a palestra “Nossa Vida Integrada: um convite à transformação”. A reflexão que ele propõe liga a saúde integral a propósito, a relacionamentos e ao autoconhecimento, a partir da ideia de que envelhecer bem não se mede só pela quantidade de anos vividos, mas também pelo equilíbrio, pela consciência e pelo sentido com que eles são atravessados.

Outra presença confirmada é a da médica geriatra Ângela Costa, com mestrado em Ensino na Saúde obtido na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Há mais de 15 anos ela se dedica ao tema do envelhecimento com autonomia, com propósito e com qualidade de vida.

A participação de Ângela terá ainda um lado literário. Na quarta-feira 16, às 10h40, ela lança o livro “Café para EnvelheSER” no espaço da Feira de Produtos e Serviços 50+. Nele, Ângela defende uma ideia que atravessa boa parte do evento — a de que a longevidade não começa quando se chega aos 60. O livro trata o envelhecimento como algo que se constrói ao longo de toda a vida e convida o leitor a aproveitar melhor o presente, em vez de enxergar a velhice como uma fase distante, lembrada só quando os cabelos brancos aparecem. A geriatra também vai conduzir o painel que encerra a programação, “Saúde Digestiva no Envelhecimento”.

Nos dois dias, o debate se estende a diferentes aspectos da rotina de quem envelhece. Entre os participantes estão profissionais de educação física, endocrinologia, geriatria, mastologia, nutrição, otorrinolaringologia e psicologia.