A busca pelo chamado “corpo perfeito”, impulsionada pelas redes sociais, pode comprometer a saúde física e mental quando passa a ser baseada em comparações com influenciadores e padrões estéticos inalcançáveis. O alerta é do nutricionista Leonardo Vieira, que defendeu a adoção de hábitos saudáveis e afirmou que os objetivos relacionados ao corpo devem respeitar a realidade e as características individuais de cada pessoa.
Segundo o nutricionista, as redes sociais se tornaram uma vitrine onde as pessoas mostram apenas aquilo que desejam expor, o que contribui para criar uma percepção distorcida da realidade. Ele observa que muitos influenciadores produzem conteúdos sobre saúde e estética sem formação na área, o que leva seguidores a adotarem comportamentos inadequados ou a perseguirem padrões incompatíveis com sua rotina.

Para Leonardo Vieira, não existe um corpo perfeito. Ele explica que imagens divulgadas nas plataformas digitais costumam ser resultado de poses, iluminação, edição e procedimentos estéticos, além de refletirem uma rotina muito diferente da vivida pela maior parte da população. “Nutricionista não tem corpo perfeito. Acho que também não existe esse corpo perfeito. Redes sociais a gente vê de aparência, a gente só posta o que quer. Não é realidade”, afirmou.
O especialista também destacou que a estética passou a ser tratada como um produto nas redes sociais, aumentando a pressão por resultados rápidos. Segundo ele, esse cenário pode gerar frustração e ansiedade em pessoas que não estão preparadas para lidar com o volume de informações e comparações presentes na internet.
Leonardo respondeu perguntas de ouvintes sobre barriga chapada, emagrecimento e gordura localizada. Ele explicou que não existe um alimento capaz de eliminar gordura abdominal e que fatores como alimentação, atividade física, hidratação, qualidade do sono, funcionamento intestinal, ciclo menstrual e nível de estresse influenciam diretamente nos resultados.
Ao comentar a preocupação de muitas pessoas com a barriga definida, o nutricionista ressaltou que a aparência do abdômen varia naturalmente ao longo do dia e que isso não significa falta de saúde. “O mal, talvez, da sociedade é porque eles estão tornando um vilão aquilo que é considerado normal”, disse.
Leonardo Vieira afirmou que o emagrecimento depende da construção de hábitos consistentes e não de soluções rápidas. Segundo ele, alimentos de baixa densidade calórica, boa ingestão de água e prática regular de exercícios físicos ajudam no processo, assim como o controle da ansiedade e do estresse, fatores que também podem contribuir para o acúmulo de gordura abdominal. Ele acrescentou que pessoas com rotinas intensas conseguem alcançar bons resultados, desde que adaptem o planejamento alimentar e os treinos à própria realidade.
Questionado sobre o desejo de muitas pessoas de ter o mesmo corpo da influenciadora Virgínia Fonseca, o nutricionista afirmou que esse tipo de comparação ignora diferenças de rotina, condições financeiras e acesso a profissionais especializados e procedimentos estéticos. Segundo ele, cada pessoa deve buscar a melhor versão do próprio corpo, e não reproduzir a aparência de terceiros.
Outro tema abordado foi a alimentação. Leonardo esclareceu que alimentos como arroz, feijão, pão e macarrão não precisam ser excluídos da dieta para quem deseja emagrecer. O mais importante, segundo ele, é controlar as quantidades e manter equilíbrio alimentar. Ele destacou ainda que arroz e feijão formam uma das melhores combinações nutricionais disponíveis e negou que frutas provoquem ganho de peso quando consumidas de forma adequada.
O nutricionista também orientou sobre hidratação, recomendando um consumo diário de aproximadamente 40 a 50 mililitros de água por quilo de peso corporal. Em relação ao refrigerante zero, explicou que o produto pode ser consumido ocasionalmente, mas não deve substituir a água, já que o excesso de adoçantes pode provocar desconfortos gastrointestinais em algumas pessoas.
Durante a participação, Leonardo respondeu ainda dúvidas sobre ganho de massa muscular, alimentação antes da atividade física, diabetes, esteatose hepática, suplementação de ferro durante a gestação e consumo de alimentos industrializados, reforçando que qualquer estratégia nutricional deve considerar a rotina, os objetivos e as condições clínicas de cada paciente.
O nutricionista defendeu que a funcionalidade do corpo deve ser priorizada em relação à estética. “A estética vem depois da funcionalidade. Se você é uma pessoa funcional, é consequência ter um shape perfeito”, concluiu.