Os Estados Unidos e o Irã voltaram a combinar sinais de confronto e abertura diplomática em meio aos esforços para evitar uma nova guerra aberta no Oriente Médio. Na última sexta-feira 10, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o cessar-fogo firmado entre os dois países está encerrado, mas confirmou que Washington aceitou retomar as negociações solicitadas por Teerã. A declaração ocorre enquanto o Catar intensifica a mediação para impedir que os confrontos registrados nos últimos dias evoluam para uma escalada militar de maiores proporções.
Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que “o Irã nos pediu para continuar as conversas” e disse que os Estados Unidos concordaram em retomá-las, deixando claro, porém, que consideram encerrada a trégua estabelecida nos últimos meses. A posição reflete a estratégia adotada pela Casa Branca de manter pressão militar sobre Teerã sem fechar completamente os canais diplomáticos.

Segundo relatos da imprensa americana, autoridades do Catar mantêm contatos simultâneos com representantes dos dois governos para preservar as negociações e reduzir o risco de novos confrontos. O emirado foi um dos principais mediadores do cessar-fogo firmado após semanas de hostilidades iniciadas em fevereiro e tenta impedir que os episódios recentes inviabilizem definitivamente um acordo mais amplo.
Apesar da movimentação diplomática, o ambiente permanece instável. Nos últimos dias, instalações militares americanas em países como Bahrein, Kuwait e Jordânia voltaram a ser alvo de ataques atribuídos ao Irã, enquanto Washington respondeu com novos bombardeios contra posições militares iranianas. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou ter atingido mais de 170 alvos nas últimas 48 horas, em uma das maiores operações desde a assinatura da trégua.
De acordo com autoridades iranianas, os ataques americanos deixaram ao menos 14 mortos e 78 feridos. Os bombardeios ocorreram durante o período das cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, morto nos ataques conjuntos realizados por Estados Unidos e Israel no início do conflito. Em resposta, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohammad Bagher Zolghadr, afirmou que “ataques contra infraestrutura serão respondidos com ações recíprocas”, elevando o tom das advertências de Teerã.
O principal foco da disputa continua sendo o Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde transita cerca de um quinto do petróleo comercializado mundialmente. Os Estados Unidos acusam o Irã de ameaçar a navegação comercial na região, enquanto o governo iraniano sustenta que as embarcações devem respeitar rotas próximas às suas águas territoriais. Os ataques recentes a navios mercantes elevaram os riscos para o transporte marítimo e voltaram a pressionar o mercado internacional de energia.
A disputa também expôs divergências sobre o memorando de entendimento firmado entre os dois países em junho. O documento previa cooperação para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, mas não estabelecia mecanismos detalhados para a implementação do compromisso, deixando margem para interpretações divergentes que passaram a alimentar novos atritos.
Embora tenha declarado o fim do cessar-fogo, Trump voltou a defender uma solução negociada para o conflito. Durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada nesta semana em Ancara, o presidente afirmou que pretende consultar o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, ambos envolvidos nas tratativas com Teerã, sobre os próximos passos das negociações. Ainda assim, advertiu que a continuidade do diálogo dependerá da postura adotada pelas autoridades iranianas.
Até a manhã desta sexta-feira 10, o Centcom não havia confirmado novas operações militares. Entretanto, relatos de explosões no sul do Irã e a continuidade das ameaças entre as duas partes mantêm elevado o risco de uma nova escalada, em um momento em que os esforços diplomáticos convivem com uma das fases mais delicadas da relação entre Washington e Teerã desde o início da guerra.