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Marinho defende atuação de Eduardo, o chanceler informal contra o próprio País

Confira a coluna Opinião deste sábado 02
Opinião
02/08/2025 | 04:08

A cruzada internacional empreendida pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em defesa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ganhou uma inacreditável legitimidade nas palavras do senador Rogério Marinho (PL-RN).

Em entrevista à 96 FM nesta semana, Marinho disse que é contra o tarifaço, mas justificou a atuação do deputado nos Estados Unidos. E foi além: sugeriu que o êxito de Eduardo estaria na sua “capacidade de interlocução” – coisa que a esquerda não teria tido quando percorreu o mundo para denunciar a prisão do presidente Lula (PT) na época da Lava Jato.

Senador Rogério Marinho (PL-RN) - Foto: Edilson Rodrigues / Senado
Foto: Edilson Rodrigues

É bom lembrar que foi graças à atuação de Eduardo que empresas brasileiras foram punidas pelo governo dos Estados Unidos com uma taxação de 50% – o que poderá minar milhares de empregos, inclusive aqui no Rio Grande do Norte. E tem uma chantagem do presidente Donald Trump: a taxa pode cair se o País aliviar para Bolsonaro – que é processado por tentativa de golpe de estado.

Ao justificar a atuação de Eduardo, dizendo que o filho de Jair está nos EUA denunciando violações no Brasil, Rogério parece ver com naturalidade o fato de o filho de Bolsonaro usar a máquina diplomática de outro país para retaliar o Brasil em nome de interesses familiares. É grave que seja minimizada a presença de um parlamentar em solo estrangeiro para pressionar pela aplicação de sanções contra o Brasil.

Em vez de condenar o aliado, Rogério reforça os argumentos de Eduardo, de que o Brasil precisa voltar à “normalidade democrática”, como se não tivesse sido uma ala do bolsonarismo que tentou depor um governo legitimamente eleito. O senador potiguar diz ainda que Eduardo não foi em busca de sanções ao País, embora o próprio deputado tenha ido às redes sociais dizer que o tarifaço é uma “resposta legítima” ao “regime brasileiro”.

Ao defender que Eduardo “conseguiu o que a esquerda não conseguiu”, Marinho flerta com a inversão moral de atribuir mérito ao que, em qualquer democracia minimamente sólida, seria considerado um escândalo internacional. Nesse meio todo, os interesses do País têm sido reduzidos a pano de fundo para vendetas pessoais.

Pena que não é o meu caso

Pré-candidato ao Senado pelo PL, Coronel Hélio entrou na trend mais recente do Instagram. Na publicação, ele diz que tem pré-candidato que vai fingir ser de direita em 2026. “Pena que não é o meu caso”, responde Hélio, em tom de provocação. De quem o coronel está falando?

Direita

Ainda falando em quem finge ser de direita ou não, ontem o senador Rogério Marinho (PL) deu o tom do discurso que vai começar a encampar daqui para a frente. O pré-candidato a governador pelo PL disse que é o “único” nome da direita para o Governo do Estado. O restante é centro ou centro-direita, segundo ele. Inclusive Álvaro Dias (Republicanos) e Allyson Bezerra (União).

Aliado ou adversário?

De uma coisa o prefeito Paulinho Freire (União) não pode ser acusado de ser ingrato com o ex-prefeito Álvaro Dias (Republicanos). Apesar de todas as broncas herdadas na gestão, Paulinho tem se mantido leal ao aliado e não tem ido a público para mostrar como realmente recebeu a Prefeitura – com dívidas e inúmeras obras inacabadas. De Álvaro, porém, não se pode dizer o mesmo. Segue causando muito mal-estar a declaração do ex-prefeito de que deixou o novo hospital pronto, o que não é verdade. Álvaro trata Paulinho como adversário com uma declaração dessa.

Tarifaço

Para o deputado Sargento Gonçalves (PL), o tarifaço anunciado por Donald Trump contra produtos brasileiros tem dois culpados: o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do STF. “A esquerda está destruindo o Brasil, e o pior é que o sentimento é que seja proposital, para implantação de uma narcoditadura aos moldes Venezuela”, escreveu o parlamentar, em uma publicação do AGORA RN no Instagram, ontem.

Cota pessoal

Causou surpresa a nomeação de Dácio Galvão, fiel escudeiro do ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo (PSD), como subsecretário estadual de Turismo. A portaria saiu ontem no Diário Oficial. A coluna Opinião apurou que, diferente do que possa parecer, a nomeação não foi um pedido de Carlos Eduardo. Foi decisão pessoal da governadora Fátima Bezerra, considerando o apoio que Dácio deu à campanha de Natália Bonavides no segundo turno da disputa pela Prefeitura do Natal em 2024. O ex-secretário de Cultura da gestão de Carlos Eduardo participou ativamente da campanha de Natália na reta final.

Bateu o pé

A deputada estadual Terezinha Maia (PL) mandou recado para quem ousa tentar virar seu voto para o Senado. A viúva do ex-prefeito Paulinho, de São Gonçalo do Amarante, afirmou que “ninguém tira” o voto dela em Zenaide Maia (PSD), mesmo que o senador Rogério Marinho – líder do seu partido, o PL – tenha objeção a qualquer aliança com a mulher de Jaime Calado.