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Meio ambiente

França enfrenta maior incêndio em décadas

Vídeo feito por avião anfíbio Canadair revela dimensão das chamas na Gironda, onde milhares de pessoas foram evacuadas e equipes internacionais atuam no combate ao fogo
Por O Correio de Hoje
28/07/2026 | 15:36

Um vídeo registrado a partir de um avião anfíbio Canadair durante uma missão de combate aos incêndios florestais no sudoeste da França ganhou repercussão internacional neste fim de semana ao revelar a dimensão do fogo que avança sobre o departamento da Gironda.

As imagens mostram a aeronave sobrevoando uma extensa frente de chamas cercada por uma densa coluna de fumaça antes de realizar o lançamento de água sobre um dos pontos mais críticos do incêndio.

Incêndio na França
Vídeo gravado por avião de combate ao fogo mostra avanço das chamas na região de Bordeaux - Foto: reprodução / internet

O registro se tornou um dos principais símbolos da maior emergência ambiental enfrentada pela França nos últimos anos, em um momento em que o incêndio permanece fora de controle em diferentes áreas e ameaça a região metropolitana de Bordeaux.

Fogo avança com calor e baixa umidade

O incêndio começou na quarta-feira (22) e se espalhou rapidamente devido à combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade do ar e ventos intensos.

Segundo as autoridades francesas, aproximadamente 42 mil hectares de vegetação já foram destruídos — uma área equivalente a quase quatro vezes o tamanho da cidade de Paris.

Embora o avanço das chamas tenha diminuído em alguns períodos, o incêndio continua sendo considerado imprevisível, exigindo mudanças constantes nas estratégias das equipes de emergência.

A frente de fogo chegou a cerca de 15 quilômetros da região metropolitana de Bordeaux, importante polo econômico, industrial e turístico da França, conhecido mundialmente pela produção de vinhos.

Apesar da proximidade, a cidade ainda não teve evacuação determinada. O prefeito Thomas Cazenave afirmou que a situação segue em monitoramento permanente e orientou a população a seguir apenas as recomendações oficiais diante da possibilidade de mudanças rápidas no comportamento das chamas.

Evacuações e reforço internacional

Desde o início da emergência, aproximadamente 220 mil pessoas precisaram deixar suas casas, hotéis e áreas de camping como medida preventiva.

A operação de retirada é uma das maiores já realizadas na França em tempos de paz. Abrigos temporários foram montados em centros de exposições e ginásios esportivos para receber moradores e turistas deslocados das áreas de maior risco.

Rodovias também foram interditadas, e o tráfego na região passou a sofrer restrições devido à fumaça e ao risco de avanço do fogo.

A resposta envolve cerca de 2,5 mil bombeiros, além de militares, policiais e agentes da segurança civil. Aviões anfíbios Canadair, helicópteros e outras aeronaves realizam lançamentos de água e retardante de fogo sobre os focos considerados prioritários.

Diante da dimensão da crise, a França acionou o Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia e recebeu reforços de países como Portugal, Itália, Grécia, Turquia e Suíça.

Condições climáticas dificultam combate

Os serviços meteorológicos franceses alertam que as condições permanecem desfavoráveis ao controle definitivo do incêndio.

A vegetação extremamente seca, resultado de sucessivas ondas de calor, facilita a propagação das chamas. Além disso, rajadas de vento podem alterar rapidamente a direção do fogo.

Em algumas áreas, especialistas identificaram a formação de incêndios convectivos, também chamados de “incêndios de sexta geração”. Esses fenômenos ocorrem quando o calor intenso cria correntes de ar capazes de alimentar o próprio incêndio e formar grandes nuvens de fumaça, dificultando as operações aéreas e terrestres.

Onda de incêndios atinge Europa

A crise na Gironda faz parte de uma onda de incêndios que atinge o sul da Europa durante o verão no hemisfério Norte.

França, Espanha e Portugal enfrentam simultaneamente focos de grandes proporções impulsionados por temperaturas extremas e longos períodos de seca.

Especialistas apontam que a frequência e a intensidade desses eventos vêm aumentando nos últimos anos, elevando os custos econômicos, pressionando os sistemas de resposta a desastres e ampliando o debate sobre adaptação às mudanças climáticas em todo o continente europeu.