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Crise

Europa amplia combate a megaincêndios

Novo foco de incêndio em Landes aumenta pressão sobre equipes de emergência; Gironda segue com chamas fora de controle próximas a Bordeaux
Por O Correio de Hoje
28/07/2026 | 15:44

A França ampliou nesta segunda-feira 27, a mobilização para conter a maior crise de incêndios florestais das últimas décadas com o surgimento de um segundo grande foco no departamento de Landes, no sudoeste do país. O novo incêndio obrigou a retirada de cerca de 36 mil pessoas, elevando para mais de 250 mil o total de evacuados em território francês desde o início da emergência. A dimensão da crise levou o presidente Emmanuel Macron a convocar uma reunião extraordinária com o gabinete para coordenar medidas de apoio às regiões mais atingidas e reforçar a resposta nacional aos incêndios, que também mobilizam equipes internacionais por meio do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia.

O principal foco permanece no departamento da Gironda, onde o incêndio iniciado na última semana já consumiu aproximadamente 42 mil hectares de vegetação e segue avançando em direção à região metropolitana de Bordeaux. Embora as autoridades tenham informado que a propagação apresentou relativa estabilidade durante a madrugada, o fogo continua fora de controle em diversos trechos. As chamas estão a cerca de 11 quilômetros dos principais acessos à cidade, um dos mais importantes polos econômicos e turísticos do sudoeste francês, conhecido pela produção de vinhos.

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França e Espanha enfrentam dois grandes focos simultâneos - Foto: reprodução / internet

A preocupação das autoridades concentra-se agora nas condições meteorológicas previstas para os próximos dias. Os serviços de previsão indicam que as temperaturas poderão atingir 38°C no fim da semana, acompanhadas de baixa umidade e ventos capazes de acelerar novamente o avanço das chamas. “É uma corrida contra o tempo antes que a onda de calor retorne”, afirmou Jérôme Steffe, prefeito de Cestas, município localizado ao sudoeste de Bordeaux, onde milhares de moradores já foram retirados preventivamente. Segundo o prefeito, o incêndio em Gironda representa uma situação “de uma dimensão nunca antes vista”.

Além da Gironda, o incêndio em Landes ampliou a pressão sobre os serviços de emergência franceses. A região registrou a evacuação de dezenas de milhares de moradores e turistas, embora parte deles já tenha recebido autorização para retornar às residências após melhora temporária das condições. Ainda assim, as autoridades mantêm elevado nível de vigilância, diante da possibilidade de mudanças rápidas no comportamento do fogo. Para reduzir riscos durante o início da alta temporada de férias, o governo francês também restringiu atividades recreativas em áreas de maior vulnerabilidade, incluindo acampamentos destinados a crianças e pessoas com deficiência.

Na Espanha, a situação permanece igualmente delicada. Mais de 116 mil pessoas foram evacuadas na última semana em diferentes regiões afetadas pelos incêndios, especialmente nas proximidades de Madri, Ávila, Toledo e Valência. Embora as condições climáticas desta segunda-feira 27, tenham favorecido parcialmente o trabalho das equipes de combate, com temperaturas mais amenas em algumas áreas, a previsão indica que a capital espanhola poderá registrar máximas próximas de 34°C, mantendo elevado o risco de novos focos. O governo espanhol continua mobilizando militares da Unidade Militar de Emergências e bombeiros de diferentes comunidades autônomas para impedir que os incêndios voltem a ganhar intensidade.

Especialistas avaliam que a sucessão de ondas de calor, aliada à seca prolongada e à vegetação extremamente ressecada, transformou o sul da Europa em uma das regiões de maior risco para incêndios florestais neste verão do hemisfério Norte. Em algumas áreas da França, os incêndios chegaram a desenvolver comportamento convectivo, produzindo tempestades de fogo capazes de gerar seus próprios ventos e dificultar significativamente as operações de combate. O fenômeno, considerado raro até poucos anos atrás, passou a ser apontado por autoridades e pesquisadores como um dos reflexos da intensificação dos eventos climáticos extremos no continente europeu.