O presidente da China, Xi Jinping, manifestou apoio ao Brasil diante do cenário de tensão diplomática com os Estados Unidos e afirmou ser contrário a qualquer interferência externa no processo eleitoral brasileiro.
A posição foi apresentada durante uma conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizada nesta segunda-feira (27), em meio ao aumento das divergências entre Brasília e Washington após a adoção de novas tarifas sobre produtos brasileiros e declarações do governo de Donald Trump relacionadas às eleições presidenciais de outubro.

Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Xi afirmou que a China “apoia o Brasil na salvaguarda de sua soberania e independência” e “se opõe à interferência externa”. O presidente chinês também declarou que Pequim pretende ampliar a coordenação estratégica bilateral e multilateral com Brasília.
Durante a conversa, Xi destacou ainda que Brasil e China, por integrarem o chamado Sul Global, devem atuar conjuntamente em defesa da reforma do sistema internacional de governança e da promoção de maior equilíbrio nas relações internacionais.
Reaproximação entre Brasil e China
O diálogo ocorreu em um momento de aproximação diplomática entre Brasil e China, principal parceiro comercial brasileiro.
De acordo com nota divulgada pelo Palácio do Planalto, Lula e Xi discutiram a implementação de projetos nacionais de desenvolvimento e a ampliação da cooperação em áreas consideradas estratégicas, como inteligência artificial, tecnologia espacial, processamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes.
Os dois governos também reafirmaram o interesse em acelerar as negociações para um acordo comercial entre Mercosul e China, mantendo as flexibilidades consideradas necessárias por cada lado.
Embora houvesse expectativa de que a conversa tratasse diretamente das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, a nota oficial brasileira não citou o tema entre os assuntos abordados.
Ainda assim, Lula reforçou que o Brasil pretende ampliar a diversificação de mercados e parceiros comerciais. A posição também foi apresentada em artigo publicado no domingo no jornal The Washington Post, no qual o presidente classificou as medidas tarifárias anunciadas por Washington como um “erro estratégico” e afirmou que o país continuará buscando novos investimentos e oportunidades comerciais.
Conflitos internacionais e atuação conjunta
No campo da política externa, Lula e Xi demonstraram preocupação com o aumento dos conflitos em diferentes regiões do mundo e seus impactos sobre a segurança alimentar, energética e as cadeias globais de abastecimento.
Os dois presidentes mencionaram os efeitos econômicos das restrições à navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb, além da situação humanitária na Faixa de Gaza.
Também defenderam o fortalecimento do Grupo de Amigos da Paz, iniciativa lançada por Brasil e China na Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de estimular negociações para o encerramento da guerra na Ucrânia.
Os líderes avaliaram que o cenário internacional atual revela limitações do Conselho de Segurança da ONU para responder às principais crises globais e defenderam maior participação dos países emergentes na governança internacional.
Ao final da conversa, Lula e Xi reafirmaram o compromisso com o multilateralismo e concordaram em manter coordenação em fóruns como os Brics e a ONU.
Para o governo brasileiro, a aproximação com Pequim reforça a estratégia de diversificação das relações econômicas em um momento de maior incerteza no comércio global e de tensão diplomática com os Estados Unidos.