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Inflação

Mercado reduz projeção da inflação

Boletim Focus mostra quarta redução seguida para o IPCA de 2026, enquanto projeções para PIB, Selic e câmbio permanecem estáveis
Por O Correio de Hoje
28/07/2026 | 15:53

Pela quarta semana consecutiva, o mercado financeiro revisou para baixo a expectativa de inflação para 2026, reforçando a percepção de desaceleração gradual dos preços em um cenário de política monetária ainda restritiva. As novas estimativas constam no Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira 27, pelo Banco Central, e apontam para um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,12% no próximo ano, abaixo dos 5,15% projetados na semana anterior e dos 5,33% registrados há um mês. Apesar da melhora, a inflação esperada segue acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), indicando que o processo de convergência permanece incompleto.

O movimento de revisão ocorre em um ambiente de expectativas relativamente estáveis para os principais indicadores macroeconômicos. As projeções para crescimento econômico, taxa de juros e câmbio permaneceram inalteradas nas últimas semanas, sugerindo que os agentes financeiros enxergam poucas mudanças no cenário-base para 2026. A leitura predominante é de que a política monetária continuará exercendo papel central no controle da inflação, ao mesmo tempo em que limita uma aceleração mais intensa da atividade econômica.

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Previsão da inflação baixa mais uma vez, mas quanto os juros altos e o PIB o cenário é de estabilidade - Foto: rafa neddermeyer / agência brasil

Para 2027 e 2028, o mercado também reduziu gradualmente as expectativas inflacionárias, projetando IPCA de 4,22% e 3,80%, respectivamente. Embora os números ainda permaneçam acima do centro da meta em 2027, a trajetória esperada indica um processo contínuo de desinflação nos próximos anos, refletindo tanto a manutenção de juros elevados quanto a expectativa de maior equilíbrio entre oferta e demanda na economia brasileira.

As projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) permaneceram estáveis pela quarta semana consecutiva. O mercado estima crescimento de 1,99% em 2026, repetindo a previsão da semana anterior. Para 2027, a expectativa é de expansão de 1,60%, enquanto para 2028 a projeção permanece em 2%. Os números refletem um cenário de crescimento moderado, influenciado pelo elevado custo do crédito e por uma política monetária ainda restritiva.

No mercado cambial, também não houve alterações relevantes. O Boletim Focus manteve pela sexta semana consecutiva a estimativa de dólar a R$ 5,20 ao final de 2026. Para os anos seguintes, as projeções seguem em R$ 5,28 em 2027 e R$ 5,30 em 2028. A estabilidade das expectativas cambiais é interpretada pelo mercado como reflexo da percepção de menor volatilidade nas contas externas brasileiras e da manutenção do diferencial de juros em relação a outras economias.

Em relação à política monetária, o mercado continua projetando uma redução gradual da taxa básica de juros ao longo de 2026. A expectativa para a Selic permaneceu em 14% pela quinta semana consecutiva, abaixo da taxa atual de 14,25% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em junho. Caso a projeção se confirme, haverá pelo menos um corte de juros até o encerramento do próximo ano. Para 2027 e 2028, as estimativas permanecem em 12% e 10,5%, respectivamente.

O atual ciclo monetário sucede um dos períodos mais restritivos das últimas duas décadas. Entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic permaneceu em 15% ao ano, maior patamar desde julho de 2006, quando atingiu 15,25%. Antes disso, entre setembro de 2024 e junho de 2025, o Copom promoveu sete elevações consecutivas da taxa com o objetivo de conter a persistência inflacionária e reancorar as expectativas do mercado.

A próxima reunião do Copom, marcada para os dias 4 e 5 de agosto, deverá oferecer novos sinais sobre a condução da política monetária. Embora o consenso do mercado continue apontando para um início gradual do ciclo de flexibilização em 2026, a trajetória dos juros dependerá da evolução da inflação, das expectativas de longo prazo, do cenário fiscal e das condições da economia internacional. Nesse contexto, a sequência de revisões para baixo nas projeções do IPCA reforça a avaliação de que o aperto monetário começa a produzir efeitos mais consistentes sobre a dinâmica dos preços, ainda que a convergência para a meta permaneça um desafio para os próximos anos.