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GO!RN 2026

IA acelera empresas, mas não substitui gestão, diz especialista no GO!RN 2026

Leonardo Kaufmann afirma que automatizar processos desorganizados pode ampliar problemas e defende gestão de pessoas, formação profissional e responsabilidade humana no uso da tecnologia
Agora RN
18/09/2026 | 21:08

A inteligência artificial pode acelerar processos, analisar dados e automatizar tarefas, mas não substitui uma empresa organizada. A avaliação é de Leonardo Kaufmann, diretor de Conteúdo e Curador do RH Summit, que defendeu nesta sexta-feira 18, durante o GO!RN 2026, que a adoção da tecnologia deve ser acompanhada por gestão, processos definidos e responsabilidade humana.

Kaufmann conduziu a palestra “Sem fazer gestão direito, não tem IA que dê jeito”, no Centro de Convenções de Natal. A atividade integrou a trilha de Modelagem e Estratégia de Negócios e colocou em discussão os limites da tecnologia dentro das empresas.

Plateia sentada assiste a palestra em espaço iluminado em rosa no Centro de Convenções
GO!RN teve palestras sobre o uso da inteligência artificial nas empresas — Luana Tayze

“É abrir a mente desse público para entender que a IA é uma ferramenta. Ela não vai resolver nada sozinha. No começo do processo a gente tem um ser humano e, no final, também. Se a IA fizer algo errado, quem vai responder é esse ser humano”, afirmou.

Na avaliação do especialista, um dos problemas ocorre quando empresas tentam automatizar processos que ainda não estão organizados. Antes de incorporar ferramentas, o gestor deveria ser capaz de identificar e explicar como as atividades funcionam.

“Um teste que faço muitas vezes é pedir que as pessoas expliquem seus próprios processos. Se elas não conseguem fazer isso com clareza, é sinal de que algo ainda precisa ser organizado. Nesse cenário, a tecnologia pode acabar apenas ampliando a bagunça”, disse.

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Kaufmann também chamou atenção para a diferença entre a velocidade da evolução tecnológica e a capacidade das organizações de desenvolver pessoas. Para ele, ferramentas avançaram rapidamente, mas problemas relacionados à liderança e à gestão de equipes continuam presentes.

“Em tecnologia, a gente evoluiu muito, tem ferramenta para tudo. Mas, quando olho para as pessoas, percebo que esse avanço não aconteceu na mesma velocidade. Desenvolvemos tecnologias, mas ainda precisamos olhar mais para as pessoas”, afirmou.

Formação de profissionais entra na discussão

A formação de mão de obra também foi abordada durante a palestra. Kaufmann questionou empresas que procuram profissionais plenos e seniores sem abrir espaço para trabalhadores em início de carreira. Para ele, a construção de novas lideranças e especialistas depende do investimento nos profissionais juniores.

“Se eu não contrato um júnior, como é que daqui a cinco ou seis anos vou ter um profissional pleno? Como vou ter seniores, novos líderes e especialistas? Onde esse profissional começa se ninguém está fazendo esse desenvolvimento?”, questionou.

O especialista relacionou esse processo à necessidade de manter as pessoas no centro das decisões empresariais. “A gente tem um mundo extremamente tecnológico, mas que não sabe olhar para as pessoas, não sabe fazer gestão de pessoas. E, por incrível que pareça, nenhuma empresa sobrevive sem gente”, acrescentou.

Kaufmann defendeu ainda senso crítico na utilização das ferramentas de IA. Na avaliação dele, conhecer as possibilidades da tecnologia não basta: empresas e profissionais precisam analisar quando utilizá-la e quais consequências uma decisão automatizada pode provocar.

“Quero trazer esse olhar para o humano, para o senso crítico e para a responsabilidade. Se algo der errado, é a pessoa quem vai responder por isso. Por isso, é preciso entender também o impacto que o uso da tecnologia pode ter no negócio”, afirmou.

O GO!RN 2026 segue até este sábado 19, no Centro de Convenções de Natal. A programação reúne mais de 250 atividades distribuídas em 14 palcos e 13 eixos temáticos, com participação de empreendedores, estudantes, pesquisadores e profissionais em debates sobre tecnologia, inovação e negócios.