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Mundo

EUA pressionam por saída de Díaz-Canel em negociações com Cuba, diz jornal

Proposta é vista como caminho para avanços em acordos bilaterais em meio à crise energética e econômica na ilha
Por O Correio de Hoje
17/03/2026 | 11:09

O governo dos Estados Unidos tem defendido, em negociações recentes com Cuba, a saída do presidente Miguel Díaz-Canel como condição para avançar em acordos entre os dois países, segundo reportagem publicada pelo The New York Times. De acordo com o jornal, autoridades americanas indicaram a negociadores cubanos que consideram a substituição do líder cubano um passo necessário para destravar as tratativas.

As informações, baseadas em relatos de quatro pessoas com conhecimento das conversas, surgem em meio a um processo ainda em estágio inicial e cercado de discrição. Segundo a reportagem, a proposta foi apresentada como uma medida para facilitar o diálogo bilateral, e não como uma exigência formal ou ultimato, em contraste com a abordagem adotada pelos Estados Unidos em relação à Venezuela.

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Presidente Miguel Díaz-Canel e presidente Trump - Foto: reprodução

Autoridades americanas não estariam, no entanto, condicionando os avanços a mudanças mais amplas no regime político cubano nem a ações contra membros da família Castro, que seguem exercendo influência na estrutura de poder da ilha. Do lado cubano, negociadores reconhecem que a gestão de Díaz-Canel enfrenta desgaste, mas buscam alternativas que não transmitam a percepção de imposição externa.

As negociações ocorrem em um contexto de agravamento da crise econômica e energética em Cuba, intensificada por restrições ao fornecimento de petróleo e dificuldades estruturais da economia. O país enfrenta apagões frequentes e escassez de insumos básicos, cenário que tem ampliado a pressão por soluções diplomáticas.

Na avaliação de integrantes do governo do presidente Donald Trump, a eventual saída de Díaz-Canel poderia abrir espaço para reformas econômicas e maior aproximação com investidores estrangeiros. Ao mesmo tempo, há o risco de que setores políticos nos Estados Unidos, especialmente entre exilados cubanos, pressionem por mudanças mais amplas no sistema político da ilha.

Em declarações públicas, Trump tem adotado um tom mais agressivo. Em entrevista coletiva na Casa Branca nesta segunda-feira, afirmou que considera uma “honra” assumir o controle de Cuba. O presidente também classificou o país como “uma nação falida” e afirmou que poderia “libertá-la ou conquistá-la”.

As tratativas entre Washington e Havana têm sido conduzidas paralelamente a uma estratégia de pressão econômica dos Estados Unidos, que inclui restrições ao fornecimento de petróleo — fator central para a crise energética enfrentada pela ilha. A combinação de sanções, negociações e declarações públicas indica um cenário de elevada tensão, com desdobramentos ainda incertos para a liderança política cubana e para o futuro das relações bilaterais.