Uma queixa sobre a venda do Banco Master ao BRB tentou chegar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo caminho do então chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Quem escolheu esse caminho foi o advogado Walfrido Warde, então atuando para o banqueiro Daniel Vorcaro. A queixa sobre o modo como o Banco Central analisava a operação foi mandada num grupo de amigos no WhatsApp.
As conversas são de julho de 2025 e vieram a público na quinta-feira 24. Nelas, Warde afirma que o Banco Central estaria “embarreirando” o negócio e pede que Marcola transmita o recado. A resposta do auxiliar foi “avisarei aqui, dou notícias”.

O que a troca documenta é o pedido de intermediação e a disposição declarada de encaminhá-lo. Não mostra, por si, que providência foi tomada pelo presidente.
O advogado também atacou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em momento no qual a autoridade monetária ainda examinava a compra. O desfecho veio em setembro de 2025: a operação foi rejeitada. Esse dado é parte indispensável do contexto, porque separa a tentativa de levar uma reclamação ao Planalto daquilo que o órgão responsável de fato decidiu.
Marcola declarou que só faria encaminhamentos institucionais. Já a Secretaria de Comunicação Social sustenta que Lula não tinha conhecimento da articulação de Warde e que se encontrou uma única vez com Vorcaro, em dezembro de 2024. São as versões de cada envolvido diante da divulgação das mensagens.
O que o conteúdo acrescenta ao caso Master é um registro específico de acesso ao gabinete presidencial enquanto a venda estava sob análise. O alcance dele está aí, nessa comunicação documentada — e não autoriza tratar como comprovada nenhuma interferência do presidente sobre a decisão do Banco Central.