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Justiça

Vorcaro admite “agrado” a ex-diretor do Banco Central, mas nega pagamento de vantagens indevidas

Em depoimento à PF, ex-banqueiro disse ter oferecido serviço de concierge para viagem da família de servidor à Disney
Agora RN
04/09/2026 | 20:06

O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, negou, em depoimento à Polícia Federal (PF), ter pago vantagens indevidas aos servidores do Banco Central (BC) Paulo Sérgio Neves de Sousa e Belline Santana, investigados por suposto favorecimento à instituição financeira. No entanto, ele admitiu ter feito um “agrado” ao ex-diretor de fiscalização do BC ao oferecer apoio durante uma viagem da família do servidor para a Disney, nos Estados Unidos.

O depoimento, prestado na sexta-feira 28 foi revelado pelo Metrópoles e também obtido pela TV Globo. A oitiva integra o inquérito que investiga a relação de Vorcaro com dois servidores suspeitos de receber vantagens indevidas e atuar em favor do Banco Master.

Daniel Vorcaro
Ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro - Foto: Reprodução

Durante o depoimento, Vorcaro afirmou que o benefício consistiu na oferta de um serviço de concierge que já utilizava para outras pessoas próximas.

“Em uma determinada reunião, o Sr. Paulo Sérgio menciona que ele já iria fazer, já tinha programado uma viagem com a sua família para a Disney, e aí eu disse, olha, eu tenho um serviço lá de concierge que é interessante, vou pedir para te procurar. Então, obviamente, ali foi um agrado dentro de uma estrutura que eu já possuía ali para dezenas de pessoas. Ele ressarciu? Ele pagou por esse serviço ou não? Eu não me recordo, delegado, acredito que não, porque eu ofereci como um agrado, até porque não era um valor específico, se eu não me engano, para utilização. Era um serviço que eu tinha que oferecer para muitas pessoas mesmo, amigos, amigos de amigos.”

Paulo Sérgio Neves de Sousa, ex-diretor de fiscalização do Banco Central, e Belline Santana, ex-chefe do departamento responsável pela supervisão bancária, foram afastados por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), em março deste ano.

Os dois são investigados por suspeita de atuação inadequada na fiscalização do Banco Master antes da liquidação da instituição, ocorrida após o agravamento da crise financeira no fim de 2025.

Segundo a Polícia Federal, as investigações apontam que os servidores forneciam orientações estratégicas sobre processos administrativos e regulatórios envolvendo o banco, além de revisar documentos enviados pelo Master ao Banco Central e antecipar informações sobre possíveis medidas da autoridade monetária.

Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março deste ano. Antes disso, havia sido detido na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, mas foi solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

O que dizem as defesas

Em nota divulgada após o depoimento, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que esta foi a primeira oportunidade em que o ex-banqueiro pôde se manifestar diretamente sobre parte dos fatos investigados.

Segundo os advogados, Vorcaro respondeu “de forma clara e consistente” aos questionamentos da Polícia Federal e sustentou que não houve qualquer ato de corrupção envolvendo os servidores citados.

Já a defesa de Paulo Sérgio Neves de Sousa informou que todas as despesas da viagem da família a Orlando, na Flórida, foram custeadas pelo próprio servidor e “devidamente comprovadas”.

Os advogados também afirmaram que Paulo Sérgio “tem demonstrado sua atuação escorreta na regulação prudencial e supervisão” do Banco Central e que não existem “quaisquer elementos de prova que permitam a ilação de que Paulo Sérgio e sua equipe tenham de qualquer modo beneficiado Daniel Vorcaro”.