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Clima

Antártica e Groenlândia perderam 12,5 trilhões de toneladas de gelo em 44 anos, diz estudo

Levantamento com dados de 27 satélites mostra que a perda de gelo já elevou o nível do mar em 3,1 centímetros desde o fim dos anos 1970
Agora RN
24/09/2026 | 19:13

A perda de gelo da Antártica e da Groenlândia chegou a 12,5 trilhões de toneladas no intervalo entre 1979 e 2023, pouco mais de quatro décadas de observação por satélite. Para dimensionar o tamanho da perda, vale a imagem que os autores usam: é como se uma camada de 1,5 metro de água congelada cobrisse toda a área continental dos Estados Unidos.

A conta está num estudo publicado na revista Scientific Data, que juntou 44 anos de observação feita do espaço. Os pesquisadores cruzaram 45 levantamentos independentes, produzidos por missões espaciais diferentes, com dados de 27 satélites, parte deles equipamento da Nasa. É esse conjunto que dá a dimensão do que sumiu das duas calotas.

Vista aérea de uma longa fenda que corta a superfície branca de uma plataforma de gelo na Antártica
Fenda em plataforma de gelo na Antártica, em imagem de arquivo: o estudo reuniu 44 anos de observação por satélite — Reprodução/British Antarctic Survey

A série longa permitiu ver não só quanto gelo foi embora, mas como o ritmo do derretimento mudou ao longo do tempo. Nas décadas de 1970, de 1980 e de 1990, as calotas polares se mantiveram relativamente estáveis. Depois disso o quadro virou, e a perda se intensificou sobretudo na década de 2010.

O mar quente derrete por baixo

O ar mais quente não explica tudo. A água do oceano, também aquecida, encosta nas plataformas de gelo e derrete a estrutura pelas laterais e pela parte de baixo. Esse mecanismo responde por cinco sextos da redução da massa das calotas polares.

Quando a base perde sustentação, o gelo se desprende com mais facilidade e as geleiras avançam em direção ao oceano, num processo que se retroalimenta.

O efeito já apareceu no mar. Pelo levantamento, o derretimento das duas regiões desde 1979 contribuiu para uma elevação de aproximadamente 3,1 centímetros no nível dos oceanos.

Cada centímetro a mais no nível do mar pode expor de 2 milhões a 3 milhões de pessoas a inundação pelo menos uma vez ao ano, em qualquer parte do planeta. A estimativa é de Ines Otosaka, um dos autores do estudo, cientista especializado em gelo na Universidade de Northumbria.

Uma pausa curta demais para virar tendência

Entre 2020 e 2023, os números mostraram uma estabilização na perda. Os pesquisadores, porém, consideram o intervalo curto demais para indicar mudança de longo prazo, porque variação climática temporária também mexe no comportamento das calotas. Na Antártica, parte dessa oscilação tem a ver com a quantidade de neve que cai sobre o continente ao longo de cada ano.

Na Groenlândia, a geleira Jakobshavn, uma das que mais produzem iceberg por lá, recua num ritmo que chega a 50 metros por dia, aponta a pesquisa.

O sumiço das calotas não é a única causa da subida dos oceanos. A água se expande à medida que aquece, e o derretimento de outras geleiras espalhadas pelo mundo entra na conta. Ainda assim, os 44 anos de observação por satélite mostram uma mudança clara no comportamento das duas maiores massas de gelo do planeta.

O volume perdido desde 1979 já dá para perceber nos oceanos. E amplia a exposição de quem vive no litoral às consequências da elevação do nível do mar, sobretudo em cidade baixa e densamente povoada.