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Acidente em Veneza

Brasileira e marido italiano morrem em colisão de barcos em lagoa de Veneza, na Itália

Gabriela Querino Elorriaga, de 26 anos, estava com o marido em uma embarcação que colidiu com um táxi aquático
Agora RN
16/09/2026 | 11:04

A colisão entre embarcações que matou a brasileira Gabriela Querino Elorriaga, de 26 anos, e o marido dela, o pescador italiano Sean Michieli, de 25, ocorreu no Canal de Tessera, na Lagoa de Veneza, na Itália. A localização foi confirmada pelo Comando dos Bombeiros de Veneza, o Vigili del Fuoco.

Gabriela, natural de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, estava com Sean em uma embarcação de pequeno porte quando houve a colisão com um táxi aquático no sábado 12. A morte do italiano foi confirmada pela Prefeitura de Veneza.

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Gabriela estava com o marido, Sean Michieli, em uma embarcação de pequeno porte - Foto: Reprodução/Redes sociais

O corpo de Gabriela foi encontrado na lagoa nesta terça-feira 15. A localização foi anunciada pelo prefeito de Veneza, Simone Venturini. Segundo a imprensa italiana, a brasileira foi encontrada na região da Ilha de Campalto, distante do ponto onde ocorreu o acidente.

As autoridades italianas ainda não informaram oficialmente o horário da colisão, o ponto exato do Canal de Tessera onde ocorreu o impacto nem a dinâmica do acidente.

Apesar da extensão do espelho d’água, a área onde aconteceu a colisão não é mar aberto. A Lagoa de Veneza é uma laguna costeira rasa, separada do Mar Adriático por uma faixa de terra e atravessada por canais usados para o deslocamento das embarcações.

A lagoa ocupa aproximadamente 550 quilômetros quadrados. Cerca de 360 quilômetros quadrados são formados por água. A área restante reúne ilhas e terrenos que ficam expostos ou submersos de acordo com as mudanças da maré.

O espaço é ligado ao Mar Adriático por três passagens, conhecidas como bocas de porto: Lido, Malamocco e Chioggia. Conforme o site do sistema de comportas Mose, utilizado na proteção de Veneza contra as marés altas, a lagoa é a maior zona úmida do Mediterrâneo.

Uma faixa de terra de aproximadamente 60 quilômetros separa a laguna do mar. A área reúne Veneza, Chioggia e mais de 50 ilhas.

A profundidade média da lagoa é de 1,2 metro. Um estudo técnico aponta que mais de 85% da área possui menos de dois metros de profundidade. Os canais com mais de cinco metros ocupam cerca de 10% da superfície.

Em razão da baixa profundidade, a circulação de embarcações se concentra em uma rede de canais que soma aproximadamente 1,5 mil quilômetros. Os trajetos são sinalizados por estacas de madeira ou concreto instaladas na água.

Parte da lagoa também é ocupada pelas chamadas “barene”, áreas baixas cobertas por vegetação adaptada à água salgada. Esses terrenos podem ficar submersos durante as marés.

O Canal de Tessera está localizado na parte norte da Lagoa de Veneza, mesma região onde fica Burano, ilha em que Gabriela e Sean moravam. O canal recebeu o nome de Tessera, localidade da parte continental do município onde funciona o Aeroporto Marco Polo.

O corpo de Gabriela foi localizado na região da Ilha de Campalto, conforme informações divulgadas pela imprensa italiana. Campalto possui aproximadamente 43 mil metros quadrados e fica entre a área continental do município e o centro histórico de Veneza.

O ponto onde a brasileira foi encontrada não é o mesmo onde aconteceu o acidente. Até o momento, não há informação oficial sobre como o corpo chegou à região da ilha.

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Acidente ocorreu no Canal de Tessera, na parte norte da Lagoa de Veneza – Foto: Reprodução/EPTV

A navegação na Lagoa de Veneza é regulamentada pela Cidade Metropolitana de Veneza. As responsabilidades sobre os canais são divididas entre autoridades marítimas e portuárias, o Provveditorato de Obras Públicas, vinculado ao Ministério da Infraestrutura, e as prefeituras.

As autoridades marítimas e portuárias respondem pelos canais do porto e pelas rotas marítimas. O Provveditorato administra os canais da lagoa, enquanto os municípios ficam responsáveis pelas vias urbanas.

O limite de velocidade varia entre 5 km/h e 20 km/h, conforme o trecho. Os valores são determinados pelos órgãos responsáveis por cada canal. O limite vigente no local exato da colisão não foi informado.

Embarcações a motor não podem circular fora dos canais sinalizados sem autorização. Barcos utilizados na pesca profissional são exceção e podem deixar as rotas demarcadas durante a atividade.

O regulamento determina ainda que todas as embarcações mantenham as luzes de navegação acesas entre o pôr e o nascer do sol. Durante a noite ou em situações de baixa visibilidade, os condutores devem reduzir e ajustar a velocidade.

A Procuradoria de Veneza investiga o caso como homicídio náutico, segundo a agência italiana ANSA. O condutor do táxi aquático envolvido na colisão é investigado.

A Procuradoria determinou a realização de uma autópsia no corpo de Sean e de perícias na embarcação utilizada pelo casal. A investigação busca determinar a velocidade dos barcos, os sentidos em que navegavam e as circunstâncias do impacto.

Ao site VeneziaToday, o advogado do condutor do táxi aquático, Jacopo Molina, afirmou que o cliente não sofreu ferimentos e acionou o socorro logo depois da colisão. Segundo a defesa, estava escuro no momento do acidente.

“Pode ser que ele realmente não tenha visto o barco chegar”, declarou o advogado.