Estados Unidos e Irã protagonizaram nesta quarta-feira a maior troca de ataques contra navios desde que a guerra começou, há seis meses. O episódio aumenta o risco para quem navega pela região e para o abastecimento mundial de petróleo que passa pelo Golfo.
Pela versão iraniana, dez embarcações foram atingidas perto do Estreito de Ormuz — oito petroleiros e dois navios americanos. Washington contestou: negou dano às suas embarcações e afirmou ter destruído cinco petroleiros do Irã depois de tentativas de ataque contra um navio de guerra.

Houve fogo em alto-mar. Um petroleiro de bandeira panamenha, levando por volta de 2 milhões de barris de óleo combustível do Iraque, começou a arder depois de um drone acertá-lo em águas iraquianas. Os 22 tripulantes escaparam sem ferimento. Outras ocorrências foram registradas por agências de segurança marítima no Golfo de Omã e também perto dos Emirados Árabes Unidos.
O confronto não ficou no mar. O Irã disparou ainda 20 mísseis contra uma base que forças americanas utilizam em território jordaniano. Das autoridades da Jordânia veio a informação de que 18 projéteis foram interceptados; os dois restantes caíram em área desabitada, sem deixar vítima.
O efeito prático apareceu no tráfego pelo Estreito de Ormuz, que voltou a ficar restrito. Antes da guerra, aquela rota concentrava um quinto de todo o petróleo movimentado no mundo. Washington passou a atacar petroleiro iraniano como resposta aos tiros recebidos por seus navios militares. Teerã, do outro lado, sustenta que vai impedir a exportação de petróleo dos demais países do Golfo.
Houve um mês de pausa nos combates antes desta retomada. Agora, Teerã anunciou que vai ampliar a zona marítima interditada, e a Guarda Revolucionária iraniana ameaçou endurecer a resposta caso os americanos voltem a atingir alvos militares, marítimos ou energéticos do país.