A trégua comercial entre Estados Unidos e China vai até 10 de janeiro. O governo americano anunciou a prorrogação, que estica um prazo cujo fim estava marcado para 10 de novembro. Quem informou o entendimento foi o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, na quarta-feira 23 — o mesmo dia em que o presidente chinês, Xi Jinping, desembarcou em Washington para uma visita de três dias.
Quem recebeu Xi foi o presidente Donald Trump, numa base aérea em Maryland. Numa declaração que a representação chinesa divulgou, o visitante pediu que as duas potências atuem como parceiras. O aceno diplomático veio antes das conversas entre os dois presidentes, previstas para a quinta-feira 24 na Casa Branca.

Mais prazo significa mais tempo para negociar as tarifas e as outras restrições que hoje pesam sobre o comércio entre as duas maiores economias do planeta. Não significa, porém, acordo geral: tecnologia, segurança e acesso a mercados seguem em aberto.
Os termos da prorrogação que Bessent informou não foram detalhados publicamente por Pequim. E a lista de divergências entre os dois governos continua grande — passa pela venda de tecnologia, pelo acesso a minerais estratégicos, por Taiwan e pela guerra que envolve o Irã. Compromissos específicos podem sair do encontro, mas cada medida dependerá de anúncio formal. A viagem de Xi segue nesta sexta-feira 25.
Para um país exportador como o Brasil, manter a trégua de pé, ainda que temporariamente, afasta o risco imediato de uma nova escalada tarifária entre dois parceiros centrais do comércio mundial. O efeito concreto sobre produtos brasileiros, no entanto, vai depender do que os acordos trouxerem e de como os mercados reagirem — e nada disso é conhecido ainda.