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Investimentos

RN busca acelerar economia do mar

Workshop reúne governo, indústria e pesquisadores para discutir infraestrutura, energia, logística e inovação voltadas ao desenvolvimento das atividades marítimas
Por O Correio de Hoje
13/07/2026 | 16:20

A economia do mar ganhou novo impulso no Rio Grande do Norte com a apresentação, nesta quinta-feira 9, de uma proposta para regulamentar a Política Estadual de Incentivo à Economia do Mar e a defesa de uma agenda voltada à atração de investimentos em infraestrutura, energia, indústria naval e logística. Durante workshop realizado na Casa da Indústria, em Natal, representantes do setor produtivo, do governo estadual e de instituições de pesquisa destacaram que o Estado reúne projetos estimados em R$ 28,1 bilhões, considerados capazes de ampliar a participação das atividades marítimas na economia potiguar.

Promovido pelo Cluster Tecnológico Naval do Rio Grande do Norte (CTN-RN), o encontro marcou a entrega ao Governo do Estado de uma minuta de regulamentação da Lei Estadual nº 11.714, de 2024, que instituiu a Política Estadual de Incentivo à Economia do Mar. O documento foi recebido pelo secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Lahyre Rosado Neto, e propõe métricas, diretrizes e instrumentos para consolidar a política pública voltada ao aproveitamento sustentável das atividades ligadas ao litoral potiguar.

Cluster Copia
Cluster Tecnológico Naval do RN discutiu energia, indústria logística do mar - Foto: Daísa alves

Durante a abertura, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), Roberto Serquiz, afirmou que o Estado reúne uma carteira de projetos em diferentes fases de desenvolvimento que somam R$ 28,1 bilhões em investimentos. Entre eles estão a boia Bravo e o sítio de testes de energia eólica offshore do Senai-RN, o complexo mínero-químico de Mossoró, o Porto-Indústria Verde e o projeto Morro Pintado, voltado à implantação da primeira fábrica potiguar de hidrogênio e amônia verdes.

Segundo Serquiz, o desafio passa por transformar o potencial econômico do litoral em resultados concretos. “Temos um potencial à disposição e um propósito. O que precisamos fazer é transformar essa convergência em resultados concretos, e o papel do Cluster é justamente estimular a Economia do Mar, otimizando o uso sustentável das vocações”, afirmou.

O superintendente do Sebrae-RN, Zeca Melo, classificou a economia do mar como uma das prioridades da instituição por reunir atividades que já possuem forte presença na economia estadual, como turismo, pesca, produção de sal e geração de energia eólica. Para ele, o fortalecimento desses segmentos pode ampliar a competitividade do Rio Grande do Norte e estimular novos empreendimentos.

O presidente do Cluster Tecnológico Naval do RN, Djalma Júnior, afirmou que o Estado vive um momento decisivo para consolidar esse ambiente de negócios. Segundo ele, o Rio Grande do Norte possui 410 quilômetros de litoral e cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) está relacionado, direta ou indiretamente, às atividades ligadas à economia do mar. “Precisamos, além de debater, colocar em prática todo esse potencial”, disse.

Representando a governadora Fátima Bezerra, o secretário Lahyre Rosado Neto destacou que a regulamentação da política estadual pode ampliar a integração entre poder público e iniciativa privada. “Vivemos um momento muito importante em que a Economia do Mar é fundamental para o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Norte. O diálogo entre o poder público e os setores econômicos é essencial para avançarmos no aproveitamento desses potenciais”, afirmou.

A programação reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir aspectos regulatórios, inovação e transição energética. O CEO da ThyssenKrupp na América do Sul, Paulo Alvarenga, defendeu que o Brasil possui condições de assumir uma posição mais relevante na economia de baixo carbono. “Temos a oportunidade de o Brasil se reposicionar no cenário da transição energética global, inclusive no ambiente geopolítico”, afirmou. Segundo ele, a integração entre energias renováveis, hidrogênio verde e indústria naval pode se tornar um dos principais vetores de desenvolvimento sustentável do País.

Também participaram das discussões o coordenador do programa Cidade +2ºC, do Insper, José Élcio Batista, que abordou os desafios regulatórios relacionados ao setor, e o vice-reitor da Universidade de Coimbra, Nuno Mendonça, que apresentou experiências portuguesas em inovação costeira e propriedade intelectual desenvolvidas no Laboratório Oceânico da instituição.

Criado por Fiern, Senai-RN, Emgepron, Intermarítima, Brava Energia e Coopesbra, o Cluster Tecnológico Naval do Rio Grande do Norte busca estruturar um ambiente de cooperação entre empresas, universidades, investidores e órgãos públicos para estimular novos negócios ligados à indústria naval, logística portuária, pesca, energias renováveis offshore e inovação tecnológica. A expectativa das entidades é que a regulamentação da política estadual contribua para acelerar investimentos e consolidar o Rio Grande do Norte como um dos principais polos da economia do mar no País.