A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Amcham Brasil e a U.S. Chamber of Commerce apresentaram uma proposta conjunta para fortalecer as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e evitar a adoção de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Em carta divulgada nesta quinta-feira 9, as entidades sugerem uma agenda de negociações dividida em duas etapas, com medidas imediatas para reduzir tensões comerciais e ações estruturais voltadas ao aprofundamento da integração econômica entre os dois países.
O documento foi encaminhado ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa; ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; ao representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer; e ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. A iniciativa ocorre após a reunião entre os presidentes dos dois países, realizada em maio, e em meio à investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação comercial americana, instrumento que pode resultar na imposição de medidas tarifárias contra parceiros comerciais.

Na avaliação das entidades, a prioridade é encontrar uma solução negociada para a investigação em curso, evitando a aplicação de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. O setor privado defende que uma resposta consensual preservaria a previsibilidade das relações comerciais e reduziria os impactos para empresas que operam nos dois mercados.
Como parte da agenda de curto prazo, a carta propõe ampliar o acesso a mercados para produtos considerados estratégicos, incluindo insumos industriais, bens de capital e itens relacionados à segurança energética, à expansão de data centers e à infraestrutura voltada à inteligência artificial. As entidades também sugerem reforçar a cooperação regulatória para facilitar o comércio nos segmentos automotivo, farmacêutico, de saúde animal e de dispositivos médicos.
Outro ponto destacado é a defesa da prorrogação da moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) que isenta de imposto de importação as transmissões eletrônicas. As entidades também propõem acelerar a análise de pedidos de patentes no Brasil, reduzir o estoque de processos pendentes, especialmente nos setores de saúde e biofarmacêutico, e ampliar as ações de combate à pirataria e à contrafação.
Na área de recursos naturais, a proposta prevê o aprofundamento da cooperação bilateral em minerais críticos, considerados estratégicos para a transição energética e para a indústria de alta tecnologia. A agenda inclui mapeamento geológico conjunto, investimentos em pesquisa e desenvolvimento, processamento mineral e fortalecimento de cadeias de suprimento resilientes entre os dois países.
As entidades defendem ainda a implementação integral do Protocolo Anticorrupção do Acordo de Cooperação Econômica e Comercial (Atec), firmado entre Brasil e Estados Unidos, como forma de ampliar a segurança jurídica e fortalecer o ambiente de negócios.
Em uma segunda etapa, a proposta amplia o escopo das negociações para temas considerados estruturais. Entre eles estão a cooperação permanente em minerais críticos, o fortalecimento das cadeias globais de suprimentos, medidas de facilitação do comércio e iniciativas voltadas à segurança alimentar e energética.
Os Estados Unidos permanecem entre os principais parceiros comerciais do Brasil, especialmente nas exportações de produtos manufaturados e de maior valor agregado. Para a indústria, a ampliação da cooperação bilateral é vista como um instrumento para aumentar investimentos, reduzir barreiras regulatórias e ampliar a competitividade das empresas dos dois países em setores estratégicos da economia.