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Editorial
Holocausto e sua lembrança
Redação
06/08/2020 | 00:09

A aprovação de um projeto de lei que torna obrigatórias aulas sobre o Holocausto do Povo Judeu na rede municipal de ensino de Natal é uma dessas inutilidades em si.

Não porque o tema não seja relevante e relevantes sejam as atrocidades cometidas por Adolf Hitler e sua trupe de psicopatas.

É que ditar a obrigatoriedade de algo tão notoriamente abordado nas aulas de História das últimas gerações é algo que agride a inteligência de qualquer professor minimamente dedicado à sua disciplina.

Justamente o Holocausto, o assassinato em massa de cerca de seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, considerado o maior genocídio do século XX, dispensa obrigatoriedades.

Mas, ao contrário, denota uma interferência do Poder Legislativo em algo que caberia mais aos professores resolver por ocasião do planejamento anual das escolas.

Baixar normativas desse tipo, por mais bem-intencionadas que sejam, cheira a coisa do período militar de 1964 ou, antes disso, ao período do Estado Novo de Getúlio Vargas.

Fases da história em que o aluno era obrigado a jurar a bandeira, sendo forçado a se perfilar em ordem unida sob o sol das primeiras horas da manhã e encarar aulas de Educação Moral e Cívica.

O Holocausto não precisa dessa mãozinha para ser lembrado para todo o sempre como um dos espetáculos mais escabrosos do século XX.

O argumento defendido para tal desiderato também é chulo: honrar a presença marcante da comunidade judaica em Natal, aproveitando a iniciativa para incentivar o respeito e a tolerância entre os povos.

É mais ou menos como se uma entidade da sociedade civil começasse a pressionar a Câmara para se submeter a ritos anuais.

A Alemanha, enquanto país, pagou um preço alto pelas loucuras de seu doido herói popular, os judeus pagaram em milhões de vidas e, não obstante, são nações hoje tremendamente respeitadas, que convivem em harmonia para o progresso do mundo.

Como tantos genocídios que marcaram a história, lembrá-los a todo o momento é uma obrigação e não fruto de uma imposição legislativa.
Ponto final.

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