A definição das suplências ao Senado continua criando tensão entre PT e PDT na montagem do chamado “time de Lula” no Rio Grande do Norte. A vereadora de Natal e presidente estadual do PT, Samanda Alves, afirmou, segundo reportagem do jornal O Correio de Hoje, que as suplências das chapas ao Senado e a vaga de vice-governador ainda seguem em negociação dentro do bloco governista. Segundo ela, estão postos Cadu Xavier (PT) para o Governo do Estado, ela própria para o Senado e Rafael Motta (PDT) como segundo nome para a disputa ao Senado. Além da vice de Cadu, estão em aberto quatro suplências, duas para cada candidato ao Senado.
A fala contrasta com a posição pública do PDT. Em abril, o partido anunciou Rafael Motta como pré-candidato ao Senado e Jean Paul Prates (PDT) como primeiro suplente, em um modelo apresentado pela legenda como “mandato compartilhado”. Jean Paul também reafirmou que sua presença na primeira suplência faz parte de um entendimento político envolvendo o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, o presidente Lula (PT) e a governadora Fátima Bezerra (PT). No governismo, porém, há partidos e lideranças que desejam entrar na chapa. O PV, presidido no Estado por Rivaldo Fernandes, reivindica espaço na majoritária e apresentou o nome do professor Emmanuel Nunes, de Mossoró, como opção para suplência. O PSB, comandado no RN por Larissa Rosado, também defende que a definição de vice e suplentes siga em negociação.

O caso ganha peso pelo histórico de Jean Paul com o PT. Ele foi filiado ao partido por cerca de 12 anos, foi eleito primeiro suplente de Fátima Bezerra em 2014 e assumiu o mandato no Senado em 2019, quando Fátima tomou posse como governadora. Em 2023, indicado por Lula, deixou o Senado para presidir a Petrobras, cargo que ocupou até 2024. Depois, migrou para o PDT com a intenção de disputar o Senado em 2026.
Agora, com Samanda sustentando que as suplências seguem abertas, a composição entre PT e PDT volta a depender de negociação entre os partidos aliados. Rafael Motta está mantido como nome do PDT ao Senado, mas a posição de Jean Paul segue no centro da disputa política. O interesse maior passou a se concentrar na suplência de Rafael porque o ex-deputado cresceu e desponta como candidato competitivo. No bloco governista, há a avaliação de que a cabeça de chapa na disputa ao Senado já seria um espaço de bom tamanho para o PDT, abrindo margem para que outras legendas sejam contempladas nas suplências.
Henrique contesta condenação no TRE
A defesa do ex-ministro do Turismo e ex-presidente da Câmara dos Deputados Henrique Eduardo Alves (MDB) vai contestar a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) que manteve a condenação do ex-deputado por lavagem de dinheiro no processo sobre repasses da JBS à campanha dele ao Governo do Estado em 2014.
A decisão foi tomada por unanimidade pelo TRE-RN. A Corte preservou a pena de 3 anos e 9 meses de reclusão por lavagem de capitais, mas reconheceu a prescrição dos crimes de corrupção passiva e falsidade ideológica eleitoral. A multa, que havia sido fixada em R$ 1,25 milhão na primeira instância, foi reduzida para R$ 141,1 mil, ainda sujeita à atualização monetária.
Em nota, o advogado Marcelo Leal afirmou que a decisão foi “completamente desassociada da prova dos autos” e acusou o tribunal de criminalizar a atividade política. Segundo a defesa, testemunhas ouvidas no processo, inclusive delatores da JBS, negaram pedido de contrapartida ou ato de ofício em troca das doações.
O caso tem origem nas delações de executivos da JBS/J&F. O relator, desembargador Ricardo Procópio, apontou que Henrique teria recebido R$ 2,936 milhões por meio de pagamentos a fornecedores da campanha e de doação oficial ao então PMDB Nacional. Para o relator, anotações usadas nas colaborações premiadas classificavam os repasses como “propina dissimulada como doação”. A defesa nega a prática de lavagem e sustenta que não houve crime antecedente.
Ainda repercute revés de Álvaro no TCE
Ainda repercute no meio político o levantamento publicado por O Correio de Hoje sobre os pareceres técnicos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) contra as contas da Prefeitura do Natal durante a gestão do ex-prefeito Álvaro Dias (PL). Segundo o jornal, a área técnica do TCE apontou irregularidades em todos os exercícios sob responsabilidade do ex-gestor, de 2018 a 2024.
Os pareceres recomendam a desaprovação das contas e citam problemas como déficits orçamentários e financeiros, inconsistências contábeis, atrasos no envio de documentos, abertura de créditos suplementares acima dos limites autorizados e uso de fontes de recursos consideradas inexistentes ou insuficientes. Em alguns exercícios, o Ministério Público de Contas acompanhou o entendimento técnico pela desaprovação.