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Informe do Correio

Grita local não muda acordo nacional

Confira os destaques da coluna Informe do Correio, publicada em O CORREIO DE HOJE nesta sexta-feira 22
Por O Correio de Hoje
22/05/2026 | 15:45

A reação de partidos aliados à indicação de Jean Paul Prates como primeiro suplente de Rafael Motta na chapa do PDT ao Senado tende a produzir mais ruído do que consequência prática. A grita existe, especialmente entre legendas que integram a base governista e se sentiram excluídas da composição majoritária, mas o desenho principal parece ter sido costurado acima das instâncias locais.

O PDT consolidou Rafael Motta como pré-candidato ao Senado e acomodou Jean Paul Prates na primeira suplência. A solução foi apresentada pelo partido como um modelo de mandato compartilhado, tentando transformar uma disputa interna em gesto de unidade. Na prática, a fórmula atende a dois movimentos. Preserva Rafael como nome de maior apelo eleitoral no momento e mantém Jean Paul dentro do projeto, com peso político, experiência e trânsito nacional.

Informe do Correio

A insatisfação de PSB, PV e PCdoB é compreensível. Esses partidos participam da aliança em torno de Cadu Xavier e esperavam espaço mais claro na chapa majoritária. O problema, para eles, é que a decisão não parece ter nascido de uma negociação horizontal entre as forças locais. Teria vindo de cima, envolvendo o comando nacional do PDT e o arranjo mais amplo da base lulista.

Por isso, a tendência é que a reclamação não passe de pressão pública. Sem autonomia real para romper a engrenagem montada nacionalmente, os partidos contrariados terão pouco espaço para barrar a composição. Podem espernear, cobrar compensações e tentar ampliar presença nas suplências restantes ou na vaga de vice, mas dificilmente conseguirão desfazer o acordo Rafael-Jean.

A chapa governista ainda tem lacunas a preencher. Faltam definições sobre a vice, os suplentes de Samanda Alves (PT) e o segundo suplente de Rafael Motta. É provavelmente nesse espaço que a base tentará acomodar os descontentes. Mas, no ponto central, a decisão parece tomada. Rafael fica na cabeça da chapa do PDT. Jean Paul fica na suplência. E a grita local, ao que tudo indica, não terá força para mudar o que foi acertado lá em cima.

PSDB paquera PT e trava vice

A indefinição do PSDB virou uma das peças centrais para o fechamento da chapa governista no Rio Grande do Norte. Enquanto Cadu Xavier (PT) já está posto como pré-candidato ao Governo, Samanda Alves (PT) aparece como nome ao Senado e Rafael Motta (PDT) caminha para ocupar a outra vaga, a vice-governadoria segue em aberto. Não por falta de opções, mas porque o PT parece esperar o movimento tucano.

A paquera entre PT e PSDB deixou de ser apenas especulação de bastidor. Cadu Xavier já admitiu publicamente que a decisão do partido comandado por Ezequiel Ferreira é decisiva para a composição. O PSDB, por sua vez, não fecha porta. Conversa, sinaliza, recua, nega definição e mantém o jogo vivo. É uma posição confortável para quem sabe que pode valorizar o passe antes de decidir o lado.

O detalhe político é que o tempo tucano não é o mesmo tempo petista. O PT precisa concluir a chapa, acomodar aliados e reduzir ruídos internos. O PSDB, ao contrário, pode esperar. Enquanto isso, mantém diálogo com o governo, preserva espaços, organiza nominatas proporcionais e observa o comportamento dos demais palanques.

A chapa de Cadu Xavier ainda tem lacunas importantes. Além da vice, faltam os dois suplentes de Samanda Alves e o segundo suplente de Rafael Motta. Mas a vaga de vice é a mais simbólica. Ela pode dizer se o projeto governista será puramente de esquerda ou se tentará abrir uma janela ao centro, atraindo um partido com capilaridade, estrutura legislativa e comando na Assembleia.

A frase ouvida nos bastidores resume o quadro: não é que o PT não tenha pressa; é que espera o PSDB. E o PSDB, por enquanto, parece gostar da espera.

RN tem dois nomes no TRF5

O Rio Grande do Norte passou a ter dois representantes na lista tríplice formada pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região para escolha de novo desembargador federal pelo critério de merecimento. Integram a relação os juízes federais Magnus Augusto Costa Delgado e Ivan Lira de Carvalho, ambos da Justiça Federal no RN, além da juíza federal Isabelle Marne Cavalcanti de Oliveira Lima, da Justiça Federal em Alagoas.

A definição ocorreu em sessão do Pleno do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, realizada na quarta-feira 20. Agora, a lista será encaminhada à Presidência da República, cabendo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolher quem ocupará a vaga.

O novo integrante da Corte assumirá uma das três cadeiras criadas pela Lei 15.393/2026, que ampliou a composição do tribunal. Magnus ingressou na magistratura federal em 1991. Ivan tomou posse como juiz federal substituto em 1993 e tem trajetória acadêmica ligada à Universidade Federal do Rio Grande do Norte e à Universidade Federal de Pernambuco.