O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte pelo Psol, Robério Paulino, fez duras críticas, nesta sexta-feira 22, à construção de imagem do ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União), que também é pré-candidato ao governo na disputa estadual de 2026. Em entrevista ao programa Contraponto, da 96 FM, nesta sexta-feira 22, Robério afirmou que ver “um vazio de propostas” por trás do chapéu de couro usado pelo ex-prefeito como marca política.
A fala ocorre em meio ao avanço da pré-campanha de Allyson, que apareceu em primeiro lugar na pesquisa Exatus para o Governo do Estado. No cenário estimulado, o ex-prefeito de Mossoró tem 37,29% das intenções de voto, contra 24,91% de Álvaro Dias (PL) e 10,74% de Cadu Xavier (PT). Robério Paulino aparece com 2,03%, seguido de Dário Barbosa (PSTU), com 0,68%. Os que dizem não votar em nenhum dos nomes somam 15,35%, enquanto 9% não sabem ou não responderam. O levantamento ouviu 1.518 eleitores entre 14 e 17 de abril, tem margem de erro de 2,51 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro na Justiça Eleitoral sob o nº RN-08384/2026.

Robério tentou enquadrar Allyson como candidato de direita, apesar do discurso de origem popular, e de centro, explorado pelo ex-prefeito. “O Álvaro Dias vai representar a extrema-direita, e o Allyson é uma serpente de duas cabeças. O rabo da serpente está no União Brasil, que é um partido de direita”, afirmou.
Na sequência, o pré-candidato do Psol colocou Allyson e Álvaro no mesmo campo político. “Álvaro e Allyson são farinha do mesmo saco. O centro da nossa campanha vai ser a defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como presidente, e aqui vamos enfrentar esses dois candidatos”, disse.
Robério afirmou que sua campanha não terá como eixo central atacar Cadu Xavier, nome do PT ao Governo, embora tenha críticas à gestão da governadora Fátima Bezerra (PT), de quem Cadu foi secretário da Fazenda. Segundo Robério, a prioridade será confrontar as candidaturas que considera de direita.
A crítica mais contundente veio quando Robério tratou do chapéu de couro, símbolo que Allyson incorporou à pré-campanha e que já virou tema de embate político no Estado. “Vamos desmascarar Allyson. O problema é o que tem embaixo do chapéu. Um vazio de propostas para o Estado. Não é que nós não queremos ver fantasia. Allyson Bezerra é um grande ator”, declarou.
Polêmica do chapéu
A declaração de Robério se soma a uma polêmica recente em torno do acessório. No início deste mês, o senador Rogério Marinho (PL) ironizou o uso do chapéu por Allyson, chamando o item de “chapéu esquisito” e afirmando que havia uma candidatura “que não fede, nem cheira”. A fala provocou reação imediata do ex-prefeito de Mossoró, que acusou Rogério de preconceito, arrogância e distanciamento da cultura popular nordestina.
Allyson respondeu dizendo que o chapéu de couro representa o trabalhador do campo, o sertanejo e quem enfrenta o sol para sobreviver. Também lembrou que Rogério já havia elogiado o mesmo chapéu em 2022, quando buscava apoio eleitoral em Mossoró. A partir daí, o acessório passou a ocupar espaço ainda maior na pré-campanha, como símbolo de origem, identidade regional e contraponto às críticas de adversários.
Robério, porém, tentou deslocar a discussão. Em vez de atacar o chapéu como símbolo cultural, mirou o que considera ausência de programa por trás da imagem. A crítica do pré-candidato do Psol busca atingir justamente um dos pontos fortes de Allyson, que construiu capital político a partir de uma comunicação direta, popular e fortemente ancorada na experiência administrativa em Mossoró.
Cenário eleitoral
Apesar do tom duro, Robério reconheceu a habilidade política do ex-prefeito. Disse que Allyson é “muito simpático” e está percorrendo o Estado, mas afirmou que, nos debates, pretende cobrar compromissos concretos. “Mas nós, no debate, vamos cobrar dele compromissos. O professor Robério vai apresentar, o Psol vai apresentar propostas, soluções reais para problemas reais do Estado”, afirmou.
Allyson foi eleito prefeito de Mossoró em 2020 e reeleito em 2024 com votação ampla. A partir desse desempenho, passou a se projetar como nome competitivo para a sucessão estadual. Em fevereiro deste ano, lançou a pré-candidatura ao Governo no evento RN do Futuro, em Natal. Ele tem o apoio de oito legendas: União Brasil, PP, MDB, PSD, Republicanos, Solidariedade, PRD e Avante.
A composição política de Allyson também foi usada por Robério para reforçar a crítica. O pré-candidato do Psol argumenta que, embora o ex-prefeito tente se apresentar como alternativa popular, está abrigado em um partido de direita e cercado por lideranças tradicionais. O grupo conta com o apoio do vice-governador Walter Alves (MDB), que rompeu com o campo governista no plano estadual e passou a apoiar Allyson. O pré-candidato a vice na chapa é o deputado estadual Hermano Morais (MDB), indicação ligada a Walter.
Na entrevista, Robério também procurou diferenciar sua candidatura da de Cadu Xavier. Disse que o PT procurou o Psol para discutir apoio à chapa governista, mas afirmou que a proposta feita ao partido foi insuficiente. Segundo ele, o PT pediu a retirada da candidatura própria do Psol e ofereceu apenas a incorporação de propostas ao programa. “Não nos propôs praticamente nada. Propôs incorporar nossas propostas no programa, mas o papel aceita tudo”, disse.
Robério afirmou que sua pré-candidatura está mantida e que o Psol tem autonomia política. Entre as propostas que pretende apresentar estão erradicação do analfabetismo em dois anos, ampliação da educação em tempo integral, convocação de concursados, valorização dos servidores e um plano acelerado de industrialização do Estado.
Ao defender a industrialização, Robério afirmou que o RN importa produtos que poderia fabricar, como água sanitária, sabonete, detergente e fertilizantes. “Nós vamos tentar trazer o Rio Grande do Norte para o futuro com um plano ousadíssimo de industrialização para gerar milhares de empregos, produzir aqui tudo o que possa ser produzido”, afirmou.