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Opinião

PSDB pode ser fiel da balança em 2026

Confira a coluna de opinião desta sexta-feira 22
Redação
22/05/2026 | 05:26

O grupo político liderado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), pode se transformar em fiel da balança na eleição para o Governo do Rio Grande do Norte em 2026. Em um cenário em que as principais chapas caminham para desenhos praticamente fechados, o destino do PSDB pode ser decisivo não apenas para fortalecer uma candidatura, mas até para definir se a disputa terá ou não segundo turno.

Segundo informações de bastidores recebidas pelo AGORA RN, pelo menos quatro lideranças tucanas devem caminhar juntas na escolha do candidato ao Governo: Ezequiel Ferreira; a deputada estadual Cristiane Dantas; o líder do PSDB na Assembleia, Taveira Júnior; e o prefeito de Parelhas, Dr. Tiago Almeida, secretário-geral do partido. A sinalização interna é de que esse grupo não pretende se dividir na disputa majoritária.

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PSDB pode ser fiel da balança em 2026 - Foto: João Gilberto/ALRN

O PSDB, porém, não tem pressa. A orientação neste momento é concentrar esforços na montagem das chapas proporcionais para 2026, especialmente para deputado estadual. A definição sobre o apoio ao Governo deve ficar para uma etapa posterior, quando o partido terá mais clareza sobre qual candidatura oferece melhores condições políticas para o projeto central do grupo: manter força na Assembleia Legislativa e criar ambiente para fazer o sucessor de Ezequiel na Presidência da Casa.

Esse ponto pode pesar mais do que a própria composição majoritária. Como Álvaro Dias (PL), Cadu Xavier (PT) e Allyson Bezerra (União) já se movimentam com estruturas avançadas, o PSDB tende a negociar onde houver mais espaço real de poder. O PT, por exemplo, já teria oferecido a Ezequiel os votos dos deputados da aliança governista para uma futura composição da Mesa Diretora da Assembleia. Nos bastidores, o partido também é citado como potencial aliado da chapa governista, inclusive com possibilidade de indicar o candidato a vice.

Do outro lado, o grupo do PL, liderado pelo senador Rogério Marinho (PL) e por Álvaro Dias, também acelerou conversas com os tucanos. Ezequiel, Taveira Júnior e o ex-vice-governador Fábio Dantas têm sido procurados. Já Allyson Bezerra não desistiu do grupo e usa o vice-governador Walter Alves (MDB) como ponte com Ezequiel. A avaliação é que, se conseguir atrair o PSDB, Allyson amplia a chance de vencer ainda no primeiro turno.

A situação envolve ainda nomes como Cristiane Dantas, a vice-prefeita de Currais Novos, Milena Galvão, e a médica Júlia Almeida. A fonte tucana avalia que Cristiane e Milena dificilmente serão vice na chapa do PT. Já Júlia, esposa de Dr. Tiago, embora seja observada pelo governismo, trabalha hoje para chegar à Assembleia e segue a orientação política do marido.

Assim, o PSDB vai valorizando o passe. Mais do que escolher um lado, Ezequiel e seu grupo podem decidir qual candidatura terá musculatura suficiente para desequilibrar a eleição estadual.

Puxão

O PSDB enquadrou Taveira Júnior após o deputado sinalizar aproximação com Álvaro Dias. A reação serviu para deixar claro que a decisão sobre o apoio ao Governo será tomada em bloco, sob articulação de Ezequiel Ferreira. A legenda quer evitar movimentos individuais que enfraqueçam seu poder de negociação com Álvaro, Cadu Xavier e Allyson Bezerra na disputa de 2026 para o Governo do Estado.

Desastrado

Jean Paul Prates (PDT) produziu um constrangimento interno na base governista ao afirmar que Rafael Motta (PDT) é a “única esperança” da esquerda para conquistar uma vaga no Senado em 2026. A declaração atingiu indiretamente Samanda Alves (PT), pré-candidata defendida pela governadora Fátima Bezerra (PT). Ao elevar Rafael como nome competitivo, Jean Paul deixou subentendido que a candidatura petista ainda não empolga nem mesmo aliados do campo governista.

Terrorismo

Facções que dominam territórios, impõem regras, ameaçam moradores, interferem em serviços e desafiam o Estado podem ou não ser chamadas de terroristas? A pergunta divide a Assembleia. Requerimento de Coronel Azevedo (PL) pediu apoio ao enquadramento desses grupos como terrorismo, mas, dos 24 parlamentares, cinco não assinaram. Na mesma semana, o Morro do Careca amanheceu com inscrição associada a facção criminosa.

Ascensão

Rafael Motta virou a bola da vez na base governista. Cotado para o Senado, já aparece também em conversas como possível vice de Cadu Xavier, hipótese à qual o PT resiste, mas não ignora. O problema é que Rafael, tratado inicialmente como coadjuvante, pode surpreender. Seu crescimento assusta aliados, sobretudo porque mexe nas vagas do Senado e na composição final da chapa.