Encerradas as convenções partidárias, o Rio Grande do Norte entra na fase oficial da campanha eleitoral, que começa em 16 de agosto. O cenário atual aponta vantagem para Allyson Bezerra (União), com possibilidade de uma decisão ainda no primeiro turno.
A pesquisa Exatus de julho (RN-02620/2026) atribui 41,78% das intenções de voto ao candidato, contra 26,05% de Álvaro Dias (PL) e 13,74% de Cadu Xavier (PT). Considerando apenas os votos válidos, Allyson aparece com 50,8%.

O cenário, porém, não representa uma definição antecipada. Eleições são dinâmicas e o desempenho dos candidatos até a reta final pode alterar o quadro. Para manter a possibilidade de vitória no primeiro turno, Allyson precisará chegar à segunda metade de setembro ainda próximo dos 50% dos votos válidos.
Esse resultado dependerá principalmente da capacidade de crescimento dos adversários. Álvaro apresentou reação na última rodada de pesquisas, enquanto Cadu avança de forma mais lenta. Caso a vantagem de Allyson permaneça até meados de setembro, a possibilidade de encerramento da disputa no primeiro turno aumenta.
Fatores que podem mudar a disputa
Os adversários avaliam que a disputa tradicional pode não ser suficiente para retirar Allyson da liderança. O principal fator de mudança seria o surgimento de algum acontecimento jurídico ou policial capaz de alterar o ambiente eleitoral.
A Operação Mederi já demonstrou esse potencial. A investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de fraudes e desvios em contratos da saúde atingiu o então prefeito de Mossoró e passou a ser explorada por PT e aliados de Álvaro Dias. Allyson nega qualquer irregularidade.
Uma nova diligência, denúncia ou decisão judicial, inclusive em Brasília, poderia modificar o cenário da eleição.
Sem acontecimentos desse tipo, e caso órgãos como CGU, Justiça Federal e Ministério Público Federal mantenham o ritmo observado até agora, Allyson tende a ser beneficiado.
Histórico de Álvaro Dias
Álvaro disputa o Governo do Estado carregando questionamentos relacionados a sete prestações de contas, referentes ao período de 2018 a 2024, que possuem recomendações técnicas de reprovação no Tribunal de Contas do Estado.
Em seis desses processos, o Ministério Público de Contas acompanhou a área técnica. Nenhum deles recebeu julgamento definitivo, e há contas de 2018 ainda pendentes.
Entre os apontamentos estão déficit orçamentário de R$ 172,9 milhões e déficit financeiro de R$ 488,3 milhões em 2018; créditos suplementares acima do limite autorizado em R$ 96,7 milhões em 2019; e déficit orçamentário de R$ 120,29 milhões em 2020.
Não há condenação nem inelegibilidade automática decorrente desses processos. A demora nos julgamentos, contudo, mantém o tema em aberto durante a campanha.
Álvaro também precisará responder politicamente sobre se os apontamentos representam falhas administrativas passíveis de correção ou problemas mais profundos de gestão.
Desafio de Cadu Xavier
Cadu Xavier enfrenta uma situação diferente. Ex-secretário da Fazenda do governo Fátima Bezerra, ele terá de defender uma administração estadual marcada por dificuldades fiscais e baixa capacidade de investimento.
No primeiro quadrimestre de 2026, o Executivo comprometeu 56,12% da Receita Corrente Líquida Ajustada com despesas de pessoal, acima do limite de 49% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
A dívida consolidada chegou a R$ 9,7 bilhões, o orçamento prevê déficit superior a R$ 1,5 bilhão e o ano começou com caixa negativo acima de R$ 3 bilhões.
A estratégia de Cadu deve ser apresentar estabilidade administrativa, enquanto os adversários deverão explorar os problemas fiscais, a falta de reformas e as dificuldades nos serviços públicos.
Segundo turno e base política
Em uma eventual segunda etapa da disputa, Allyson aparece em posição de vantagem por ocupar um espaço intermediário entre Álvaro e Cadu. A transferência de votos entre os polos de direita e esquerda, porém, é uma das principais incógnitas.
Álvaro e Cadu tendem a explorar a polarização política para tentar retirar Allyson do centro do debate eleitoral. Para o candidato petista, esse movimento poderia ser favorecido pelo desempenho de Lula no Estado, onde pesquisas citadas no texto apontam vantagem sobre Flávio Bolsonaro.
Allyson também conta com uma ampla base municipal. Levantamentos indicam apoio de cerca de 60 prefeitos, incluindo gestores de Mossoró, Parnamirim, Macaíba, São Gonçalo do Amarante, Caicó, Pau dos Ferros e Ceará-Mirim.
Uma eventual disputa em segundo turno poderia ampliar alianças políticas, apoios municipais e articulações entre diferentes setores.
Apesar da liderança apresentada nas pesquisas, o cenário eleitoral permanece sujeito a mudanças. Sem novos fatos capazes de alterar a disputa, a tendência apontada pela análise é de vitória de Allyson Bezerra, seja no primeiro ou no segundo turno.