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Informe do Correio

Caixa dois ainda manda nas eleições

Confira os destaques da coluna Informe do Correio, publicada em O CORREIO DE HOJE nesta segunda-feira 27
Por O Correio de Hoje
27/07/2026 | 16:43

O financiamento oficial das eleições brasileiras alcançou dimensão bilionária. Em 2026, o Fundo Especial de Financiamento de Campanha dispõe de R$ 4,9 bilhões, distribuídos aos diretórios nacionais dos partidos, que definem quanto será destinado a cada estado, legenda, cargo e candidatura. No Rio Grande do Norte, o valor final só será conhecido quando as transferências forem registradas nas contas eleitorais.

O problema, porém, não se limita ao dinheiro declarado. Existe uma diferença significativa entre o que a Justiça Eleitoral consegue acompanhar por meio de extratos, notas fiscais, contratos e prestações de contas e o que ocorre nos bastidores das campanhas.

Informe do Correio

Relatos recorrentes apontam a existência de repasses em espécie, contratação informal de estruturas, financiamento empresarial clandestino e compra de apoios políticos. Sem provas, essas denúncias não podem ser tratadas como fatos comprovados. A repetição desses relatos, entretanto, reforça a necessidade de investigação especializada e mecanismos mais eficientes de controle.

Casos já julgados demonstram que o risco é concreto. No Rio Grande do Norte, o Tribunal Regional Eleitoral identificou campanhas com recursos públicos utilizados sem comprovação adequada, fornecedores inaptos, pagamentos a terceiros e falhas na rastreabilidade dos gastos.

Em âmbito nacional, a cassação da então senadora Selma Arruda ocorreu após o reconhecimento de abuso de poder econômico e caixa dois, envolvendo aproximadamente R$ 1,2 milhão que não foi declarado na contabilidade eleitoral.

Empresas não podem realizar doações diretas a candidatos. Quando financiam despesas, entregam recursos ou custeiam estruturas de campanha de forma irregular, podem configurar fonte vedada e caixa dois. Por isso, a fiscalização não deve se restringir à análise formal das prestações de contas nem ocorrer apenas após o encerramento das eleições.

A demora na identificação de irregularidades transforma possíveis punições em respostas tardias, quando o apoio político já foi conquistado e o mandato obtido.

Para evitar esse cenário, Justiça Eleitoral, Ministério Público, Polícia Federal, Receita Federal, Coaf e tribunais de contas precisam atuar de forma integrada, cruzando dados em tempo real sobre saques elevados, fornecedores, gastos com combustíveis, veículos, contratação de pessoal e evolução patrimonial de candidatos.

Também é necessário garantir canais seguros para recebimento de documentos, mensagens e áudios que possam contribuir para investigações. O desafio de moralizar o processo eleitoral está justamente em alcançar a chamada campanha subterrânea, onde podem circular dinheiro em espécie, acordos ocultos e apoios comprados.