A entrada do vice-governador Walter Alves, presidente estadual do MDB, na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa altera a corrida pelo comando da Casa. Walter já declarou que pretende concorrer ao cargo de deputado estadual e, caso seja eleito, buscar a presidência do Legislativo.
O movimento cria um novo cenário para o deputado Kleber Rodrigues, do PP, atual primeiro vice-presidente da Assembleia e até então apontado como candidato natural do grupo liderado por Allyson Bezerra à sucessão de Ezequiel Ferreira (PSDB).

O acordo inicialmente atribuído a Allyson reservava a presidência da Assembleia para Kleber. A entrada do MDB no palanque, porém, modificou essa articulação. Walter não chega ao Legislativo como um deputado comum: lidera um partido com prefeitos, vereadores, candidatura a vice-governador e uma nominata organizada para conquistar representação significativa.
Caso Allyson Bezerra seja eleito governador, terá de administrar dentro da própria base dois projetos distintos para o comando da Assembleia Legislativa.
A disputa também envolve Ezequiel Ferreira, do PSDB. Atual presidente da Casa e candidato à reeleição, ele permanece como uma das principais figuras de articulação entre os 24 deputados e deve buscar influência na escolha do sucessor.
Kleber Rodrigues é o atual vice-presidente da Assembleia, mas Walter mantém uma relação política construída ao longo dos anos com Ezequiel, fator que impede uma definição antecipada sobre a sucessão.
A eleição para a presidência da Assembleia ocorre em um ambiente próprio, definido por articulações internas, formação de bancadas e acordos entre parlamentares. No cenário político potiguar, o comando do Legislativo representa uma posição estratégica: permite controlar a pauta, participar das negociações institucionais e exercer influência sobre decisões do Estado sem assumir diretamente a pressão administrativa enfrentada pelo governador.