Há 15 dias, neste espaço, lembrei da fábula de Esopo “O Parto da Montanha”, uma pequena história onde uma montanha faz um barulho estrondoso, por longo tempo, gerando expectativas sobre o que iria ocorrer e atraindo pessoas de todos os lugares para assistir o desfecho da situação. Um belo dia o barulho ficou fortíssimo, a montanha tremeu toda e depois rachou, num rugido de arrepiar os cabelos. De repente, do meio do pó e do barulho, apareceu … um rato.
Quando publiquei o artigo faziam exatos 15 dias que o prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos), havia anunciado com pompa e circunstância o apoio à pré-candidatura do deputado federal Paulinho Freire (União Brasil) à sua sucessão. Este anúncio reuniu senadores, deputados federais, deputados estaduais e quase todos os vereadores de Natal em torno do deputado federal Paulinho Freire, em um “acordão” político entre os partidos União Brasil, Republicanos, PL, Podemos, PP e PSDB. Muita força política se juntou, com a perspectiva de levantar a pré-candidatura de Paulinho Freire, que vem se arrastando no terceiro lugar em todas as pesquisas, desde fevereiro passado.

Pois bem. Quase um mês depois do anúncio do “acordão”, de muita movimentação com reuniões nos bairros de Natal, o parto da montanha se desviou da fábula de Esopo e o resultado não foi um leão, tampouco foi um rato: a montanha pariu um gatinho, que miou fino com o resultado da pesquisa Seta, divulgada nesta quarta-feira (29/05). O mesmo instituto já havia publicado uma pesquisa sobre a sucessão em Natal, no dia 09 de abril próximo passado. Vejamos os resultados.
Em Abril, Carlos Eduardo tinha 38,3%, Natália Bonavides, 16,8% e Paulinho Freire 14,4% das intenções de voto pesquisadas pelo Instituto Seta. Na pesquisa divulgada por este instituto no último dia 29 de maio, Carlos Eduardo aparece com 35,9%, Paulinho Freire com 17,4% e Natália Bonavides com 13,3% das intenções de voto. Todos os pré-candidatos oscilaram dentro da margem de erro de 4%, sem apresentarem alteração substancial entre os resultados dos meses de abril e de maio, nas pesquisas realizadas pelo Instituto Seta. A verdade é que a briga pelo segundo lugar prossegue intensa entre as duas pré-candidaturas, que representam os poderosos e as instâncias dos Poderes Executivo e Legislativo, tanto no Brasil, quanto no Rio Grande do Norte e em Natal.
E se em Natal a montanha pariu um gatinho, que miou fino, em Mossoró não foi diferente. Nos últimos 30 dias, a segunda maior cidade do Rio Grande do Norte viveu muita movimentação política, resultando em pré-candidaturas e em um possível acordo da oposição contra o prefeito Alysson Bezerra (União Brasil). No entanto, segundo a pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Exatus, Alysson aparece com 73,38%, Rosalba com 7,25%, Isolda com 4,75%, Zé Peixoto com 2,25%, Genivan com 1,75%, Tonni com 1,75% e Lawrence com 1,63% das intenções de voto do eleitorado. Este resultado mostra que o prefeito Alysson Bezerra atropelou seus adversários, que ficaram parecendo gatinhos de rua, miando fino abandonados pelo povo.
A questão agora é saber se esses gatinhos, que perambulam pelas capitais do estado e do Oeste potiguar, irão se transformar em leões até as eleições do próximo mês de outubro. Por enquanto, nada indica que esta metamorfose irá acontecer. E mais: o cientista político Antonio Lavareda, do instituto Ipespe Analítica, revelou na quarta-feira passada, no canal de notícias CNN, que em Natal “há chances elevadas da eleição ser decidida no primeiro turno”.
Sávio Hackradt é jornalista e consultor político