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Saulo Spinelly

Fátima critica Walter, mas fracasso de sua candidatura ao senado nasceu dentro do próprio governo

Confira a coluna de Saulo Spinelly desta quinta-feira 19
Saulo Spinelly
19/03/2026 | 05:18

A governadora Fátima Bezerra tenta concentrar no vice Walter Alves a responsabilidade pela inviabilização de sua pré-candidatura ao Senado. O rompimento, de fato, foi decisivo. Sem a garantia de sucessão no governo, o projeto perdeu sustentação. Mas reduzir o episódio a isso é ignorar um problema maior: o desgaste político acumulado dentro da própria gestão.

A relação com Walter já vinha fragilizada há meses. E, na prática, nunca se consolidou como uma parceria estratégica de confiança. Na política, lealdade não se impõe — se constrói. E esse elo claramente não resistiu.

GoveRio Grande do Norteadora do RN, Fátima Bezerra (PT) - Foto: Carina Leão / MT
Fátima critica Walter, mas fracasso de sua candidatura ao senado nasceu dentro do próprio governo - Foto: Carina Leão / MT

Além disso, o governo enfrentou dificuldades recorrentes na articulação com sua base e na manutenção de alianças consistentes. Faltou musculatura política para sustentar um movimento eleitoral mais ousado. Quando chegou a hora de dar o passo, a estrutura já dava sinais de instabilidade.

Nem mesmo o alinhamento com o presidente Lula foi suficiente para reverter o cenário. O apoio nacional existia, mas não compensou a fragilidade local.

No fim, a pré-candidatura de Fátima não caiu apenas por uma decisão de Walter. Ela ruiu porque já estava politicamente enfraquecida.

THABATTA ENTRA NO JOGO E MEXE NO TABULEIRO DO SENADO NO RN

A vereadora natalense Thabatta Pimenta (PSOL) passou a se movimentar de forma mais clara para disputar uma das vagas ao Senado em 2026, aproveitando o vácuo deixado pela desistência da governadora Fátima Bezerra. A mudança reposiciona seu projeto político e reaquece a disputa no campo progressista.

Até então pré-candidata a deputada federal e articulando, inclusive, uma possível saída do PSOL , Thabatta agora avalia caminhos para viabilizar a candidatura majoritária. Entre as possibilidades estão permanecer no partido com aval da direção nacional ou migrar para outra sigla com mais estrutura eleitoral.

A entrada de Thabatta cria um novo impasse para o PT, que terá de decidir se mantém o nome já posto ou se reavalia sua estratégia diante de uma candidatura com apelo e visibilidade. Ao mesmo tempo, sua movimentação eleva o nível de competitividade da disputa, que parecia mais previsível após a saída de Fátima do páreo.

Com perfil combativo e disposição para enfrentar cenários de risco, Thabatta mostra que pretende jogar alto e pode embaralhar uma corrida que estava longe de ser definitiva.

OTIMISMO SOBRA NAS NOMINATAS, REALIDADE NEM TANTO

O clima entre os articuladores das principais nominatas para 2026 é de confiança e até de euforia. PL, Republicanos, União Progressista, MDB e a federação Brasil da Esperança trabalham com chapas completas e projeções robustas tanto para deputado estadual quanto federal.

No PL, a expectativa é eleger até nove estaduais e três federais, com chance de uma quarta vaga. O Republicanos fala em até sete estaduais e dois federais. Já a União Progressista projeta sete a oito estaduais e três federais. O MDB trabalha com três a quatro cadeiras, enquanto a federação liderada pelo PT aposta em até nove estaduais e quatro federais.

Nos bastidores, o discurso é semelhante: todas as chapas se dizem competitivas e com potencial de protagonismo. O problema é que, na prática, esse otimismo coletivo não fecha na conta final.

CONTA NÃO FECHA E REVELA EXCESSO DE EUFORIA NAS CHAPAS

Somadas, as projeções dos principais grupos políticos simplesmente não cabem dentro do número de vagas disponíveis. Para deputado estadual, as estimativas chegam a 34 eleitos, quando a Assembleia tem apenas 24 cadeiras. Já na Câmara Federal, a conta aponta para 12 eleitos, mas o RN dispõe de apenas oito vagas.

A explicação é conhecida nos bastidores: em fase de montagem de nominata, o discurso inflado ajuda a atrair candidatos e fortalecer chapas. O problema é que, em muitos casos, a narrativa ultrapassa o campo do otimismo e entra na euforia.

No fim, como sempre, a matemática das urnas trata de ajustar expectativas e costuma ser bem menos generosa do que as projeções de bastidor.