Se eleição é voto, estratégia e narrativa, os marqueteiros são os arquitetos invisíveis dessa construção. E no Rio Grande do Norte, a corrida de 2026 já começa a desenhar seus bastidores com nomes experientes, perfis distintos e estilos que prometem campanhas bem diferentes entre si.
O ex-prefeito Álvaro Dias aposta no super vencedor Alexandre Macedo, um nome conhecido pela linha mais objetiva e de comunicação direta. A tendência é de uma campanha focada em gestão, entregas e legado administrativo um discurso que conversa com o eleitor mais pragmático e menos ideológico.

Do outro lado, Cadu Xavier entra no jogo com Lucas Bonavides, sob a supervisão de Edson Barbosa. A composição sugere uma estratégia mais técnica, com leitura de dados, organização de discurso e alinhamento político mais estruturado. É o modelo de campanha que busca consistência e controle de narrativa, sem grandes sobressaltos.
Já Allyson Bezerra prepara uma engrenagem mais robusta. A base será montada por Arturo Arruda, com equipe da capital, e contará com a consultoria de João Santana, um dos nomes mais experientes do marketing político nacional. Aqui, o indicativo é de uma campanha mais agressiva em comunicação, com construção forte de imagem, storytelling e capacidade de pautar o debate público.
No fim das contas, mais do que os candidatos, será o estilo de cada campanha que ajudará a definir o tom da eleição. Entre a objetividade, a técnica e a construção narrativa, o RN deve assistir em 2026 a uma disputa onde o marketing não será coadjuvante. Será protagonista.
MOVIMENTO DE BASTIDORES
A governadora Fátima Bezerra (PT) reuniu, nesta quarta-feira 15, os dirigentes dos seis partidos que dão sustentação política ao seu governo. O encontro teve como foco principal afinar o tabuleiro para 2026.
Na pauta, dois pontos centrais: a definição do nome que ocupará a vaga de vice na chapa do pré-candidato ao governo Cadu Xavier (PT) e a organização das nominatas para deputado estadual e federal, etapa decisiva para dar musculatura ao projeto eleitoral.
A reunião é mais um indicativo de que o grupo governista começa a sair do campo das conversas preliminares para decisões mais concretas. Nos bastidores, a expectativa é de que os desdobramentos comecem a aparecer nos próximos dias, com sinais mais claros sobre alianças, composições e o desenho final da chapa majoritária.
XADREZ SILENCIOSO
Nos bastidores da política potiguar, o vice-governador Walter Alves vem operando uma estratégia discreta, porém sofisticada, para garantir espaço ao MDB na Câmara Federal em 2026.
Diante das dificuldades internas do partido para eleger um nome competitivo próprio, Walter aposta em uma engenharia de alianças que passa pela federação liderada pelo PT. A movimentação tem um objetivo claro: fortalecer, fora das fileiras emedebistas, o nome de Bernardo Amorim, hoje no PV, com vistas a uma futura recomposição.
A lógica é simples e silenciosa. Consolidado nas urnas, o parlamentar poderia, mais adiante, retornar ao MDB, assegurando à legenda uma cadeira em Brasília sem a necessidade de protagonismo direto no pleito.
Tudo conduzido com máxima cautela. A operação evita exposição para não gerar ruídos na base petista, sobretudo pelo risco de reação ao perceber que votos da federação podem, indiretamente, fortalecer outro partido.
Nesse tabuleiro, as peças se movem com precisão. Permutas de apoio entre municípios como Apodi e Pilões e articulações recentes em cidades como Jandaíra reforçam o desenho estratégico.
Mais do que fidelidade partidária imediata, o que está em jogo é resultado. E, nesse jogo, a discrição tem sido a principal aliada.