Nos bastidores da sucessão estadual, o PT ainda trabalha com a expectativa de convencer o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), a indicar a irmã, Milena Galvão (PSDB), para ocupar a vaga de vice-governadora na chapa encabeçada por Cadu Xavier. A demora na definição do nome para vice passa justamente pela tentativa de amadurecer esse entendimento político. Para o entorno governista, uma composição com o PSDB seria considerada estratégica e ampliaria o alcance político da chapa para 2026. O problema é que o cenário interno do PSDB aponta em outra direção. A nominata tucana para deputado estadual foi construída em sintonia com nomes como Paulinho Freire, Fábio Dantas e Ériko Jácome, todos hoje vinculados ao projeto oposicionista liderado por Álvaro Dias. Dentro do grupo, existe forte resistência a uma mudança brusca de posicionamento político.
Uma eventual aliança com o PT exigiria de Ezequiel mais do que uma decisão isolada. O movimento impactaria diretamente acordos já firmados e poderia provocar desgaste com aliados estratégicos, além de gerar desconforto entre pré-candidatos proporcionais que não aceitam migrar para o campo governista. O reflexo também atingiria figuras importantes do grupo, como Fábio Dantas empenhado na reeleição de Cristiane Dantas e Ériko Jácome, alinhado politicamente ao prefeito Paulinho Freire.

Por isso, apesar das conversas seguirem abertas e de existir espaço para entendimentos pontuais, inclusive em torno de um eventual apoio a Samanda Alves ao Senado, uma aliança integral entre PSDB e PT ainda é tratada como um caminho difícil e cheio de entraves.
PT ADIA REUNIÃO COM ALIADOS E MANTÉM INDEFINIÇÃO SOBRE VICE DE CADU
O PT voltou a adiar a reunião com os partidos aliados no Rio Grande do Norte. O encontro, inicialmente previsto para a semana passada e depois remarcado para esta quarta-feira, ficou agora para a próxima segunda-feira 18.
Oficialmente, a justificativa apresentada pela direção petista foi conflito de agenda. Nos bastidores, porém, o movimento é interpretado como tentativa de ganhar tempo para acomodar articulações políticas e possíveis rearranjos eleitorais.
A principal indefinição segue sendo a composição da chapa majoritária encabeçada por Cadu Xavier. O partido ainda alimenta a expectativa de avançar nas conversas com o PSDB do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, o que deve empurrar a definição da vaga de vice para junho.
A reunião reúne legendas que integram o arco de alianças governista, como PV, PCdoB, PDT, PSB, Rede e Cidadania. Na pauta oficial, discussões sobre programa de governo, prioridades da aliança e demandas dos partidos para a chapa de 2026.
Enquanto isso, cresce nos bastidores a sensação de que o tabuleiro ainda está longe de fechado e que novas movimentações podem surgir nas próximas semanas.