A prisão preventiva de Henrique Eduardo Alves completa hoje oito anos. Ele ficou um ano encarcerado sem condenação em nenhuma instância. Depois, foi submetido à prisão domiciliar. À época, o argumento era conhecido: risco à sociedade, necessidade da medida, combate à corrupção. O ambiente político e jurídico do País parecia aceitar quase tudo em nome de um suposto “bem maior”.
O tempo passou. E o Brasil de hoje assiste, cada vez mais, ao crescimento das críticas aos excessos do Judiciário, aos limites das decisões monocráticas, ao uso prolongado de medidas cautelares e à relativização de garantias constitucionais. Curioso perceber como parte dos que hoje levantam a voz em defesa do devido processo legal silenciava quando abusos semelhantes atingiam adversários políticos ou figuras públicas que haviam sido previamente condenadas pela opinião publicada.

Henrique foi um entre tantos casos em que a prisão preventiva deixou de ser exceção para ganhar contornos de antecipação de pena. E talvez o maior erro daquele período tenha sido justamente a naturalização disso. A ideia de que garantias individuais poderiam ser flexibilizadas conforme a conveniência moral ou política do momento.
O mais simbólico é que muitos dos que surfaram no discurso da chamada “nova política” envelheceram rápido. Transformaram indignação seletiva em método, lacração em projeto e redes sociais em tribunal permanente. No fim, venderam virtude, mas entregaram apenas superficialidade e uma representação pública cada vez mais pobre.
Os fatos, porém, sobrevivem ao tempo. E eles costumam ser mais eloquentes do que qualquer narrativa.
O RECADO DE CARLOS EDUARDO
Ao tornar pública a falta de fundo eleitoral como motivo para desistir da disputa ao Senado, Carlos Eduardo deixou claro o sentimento de isolamento dentro do União Brasil. Filiado há pouco mais de um mês, ele entrou no partido sob a sinalização de que teria espaço na chapa majoritária. A demora de quase um mês para comunicar que sua candidatura não teria suporte financeiro apenas reforçou a percepção de desgaste e desconforto interno.
Nos bastidores, o entendimento é de que o problema nunca foi exatamente o fundo eleitoral, mas sim a resistência da senadora Zenaide Maia ao seu nome. Aliados de Allyson Bezerra e José Agripino enxergavam em Carlos uma peça importante para ampliar a penetração eleitoral do grupo em Natal. Ainda assim, prevaleceu o temor de que Zenaide pudesse rever sua posição política e retornar ao campo da governadora Fátima Bezerra.
No fim, a saída de Carlos Eduardo expõe mais do que uma desistência: revela fissuras, vetos silenciosos e um processo conduzido de forma pouco elegante com um ex-prefeito da capital.
PT MANTÉM ESPERANÇA DE ATRAIR EZEQUIEL E SONHA COM MILENA GALVÃO NA VICE DE CADU
Nos bastidores da sucessão estadual, o PT ainda trabalha com a expectativa de convencer o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, a indicar a irmã Milena Galvão para ocupar a vaga de vice-governadora na chapa encabeçada por Cadu Xavier. A demora na definição do nome para vice passa justamente pela tentativa de amadurecer esse entendimento político. Para o entorno governista, uma composição com o PSDB seria considerada estratégica e ampliaria o alcance político da chapa para 2026. O problema é que o cenário interno do PSDB aponta em outra direção. A nominata tucana para deputado estadual foi construída em sintonia com nomes como Paulinho Freire, Fábio Dantas e Érico Jácome, todos hoje vinculados ao projeto oposicionista liderado por Álvaro Dias. Dentro do grupo, existe forte resistência a uma mudança brusca de posicionamento político.
Uma eventual aliança com o PT exigiria de Ezequiel mais do que uma decisão isolada. O movimento impactaria diretamente acordos já firmados e poderia provocar desgaste com aliados estratégicos, além de gerar desconforto entre pré-candidatos proporcionais que não aceitam migrar para o campo governista. O reflexo também atingiria figuras importantes do grupo, como Fábio Dantas empenhado na reeleição de Cristiane Dantas e Érico Jácome, alinhado politicamente ao prefeito Paulinho Freire.