Uma pesquisa realizada pelo Procon Natal revelou diferenças expressivas nos preços de medicamentos comercializados na capital potiguar, com variações que chegam a 182,32% entre estabelecimentos. O levantamento, realizado entre os dias 25 e 29 de maio, analisou os valores praticados por 29 farmácias distribuídas pelas quatro regiões da cidade.
O estudo foi elaborado após a entrada em vigor do reajuste anual de medicamentos autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), que definiu aumento máximo de 2,47% para o setor. O objetivo foi fornecer aos consumidores um panorama atualizado dos preços e auxiliar no planejamento dos gastos com saúde.

Entre os 31 medicamentos pesquisados, o Albendazol 400 mg apresentou a maior disparidade de preços. Utilizado no tratamento de parasitoses, o produto foi encontrado por R$ 3,79 em uma versão fabricada pelo laboratório Medley, enquanto outra apresentação, produzida pela Biossintética, chegou a R$ 10,70.
A diferença de R$ 6,91 entre os valores resultou em uma variação de 182,32%. O preço médio registrado para o medicamento foi de R$ 4,68.
A pesquisa contemplou oito medicamentos genéricos e 23 produtos de marcas tradicionais, abrangendo diferentes categorias terapêuticas, como analgésicos, antibióticos, anti-inflamatórios, antialérgicos e remédios utilizados no controle da pressão arterial.
Segundo o Procon Natal, os valores foram coletados sem considerar descontos oferecidos por programas de fidelidade, convênios ou campanhas promocionais específicas, o que significa que o preço final pago pelo consumidor pode variar conforme as condições oferecidas por cada estabelecimento.
Outro destaque do levantamento foi o comportamento do Diclofenaco de Sódio 100 mg. O anti-inflamatório registrou redução de 18,65% em seu preço médio na comparação com a pesquisa anterior.
Em 2025, o medicamento apresentava preço médio de R$ 12,18. Neste ano, foram encontradas opções comercializadas a partir de R$ 3,55, indicando maior concorrência e redução de custos para os consumidores.
O estudo também identificou diferenças relevantes em medicamentos de uso recorrente. O antialérgico Alegra 60 mg, por exemplo, apresentou preço médio de R$ 26,12, mas foi encontrado por valores entre R$ 21,45 e R$ 50,18.
A diferença de R$ 28,73 entre os menores e maiores preços demonstra o potencial de economia para consumidores que realizam pesquisa antes da compra.
No recorte geográfico, a região Leste de Natal concentrou os menores preços médios observados pelos pesquisadores durante o período analisado.
O levantamento reforça uma tendência observada em pesquisas de consumo realizadas em diferentes capitais brasileiras: a existência de diferenças significativas de preços mesmo entre estabelecimentos localizados em regiões próximas e comercializando produtos semelhantes.
Para especialistas em defesa do consumidor, a comparação de preços tem se tornado uma ferramenta cada vez mais importante diante do impacto dos gastos com medicamentos no orçamento das famílias, especialmente entre idosos e pessoas que dependem de tratamentos contínuos.
A pesquisa também evidencia a importância da concorrência no setor farmacêutico, uma vez que a presença de diferentes marcas, fabricantes e redes de farmácias contribui para ampliar as opções de compra e reduzir custos para os consumidores.
O Procon Natal recomenda que a população consulte previamente os preços antes de adquirir medicamentos, especialmente aqueles de uso contínuo ou com valor mais elevado.
O órgão disponibiliza aos consumidores a planilha completa da pesquisa, contendo médias de preços, percentuais de variação e a relação das farmácias participantes do levantamento.
Além da consulta de preços, o Procon orienta que consumidores fiquem atentos às condições de venda e aos direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor.
Para esclarecimento de dúvidas, registro de reclamações ou solicitação de orientações sobre relações de consumo, o atendimento é realizado na sede do órgão, localizada na Rua Ulisses Caldas, nº 181, no bairro Cidade Alta, em Natal. Os consumidores também podem entrar em contato por meio do WhatsApp, pelo número (84) 3232-6189.
Em um cenário de reajustes periódicos autorizados pelo governo federal e pressão sobre o orçamento das famílias, a pesquisa reforça que a simples comparação entre estabelecimentos pode representar economia significativa na compra de medicamentos.