A rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal pelo plenário do Senado, na noite desta quarta-feira, evidenciou não apenas uma derrota expressiva do governo Lula, mas também o peso político do presidente da Casa, Davi Alcolumbre. O placar de 42 votos contrários contra 34 favoráveis frustrou a expectativa do Planalto, que trabalhava com a projeção de pelo menos 50 votos a favor da indicação.
A articulação conduzida por Alcolumbre foi determinante para o desfecho. Nos bastidores, o presidente do Senado reuniu apoios de diferentes matizes políticos e construiu uma maioria capaz de barrar a nomeação, mesmo após a aprovação de Messias na Comissão de Constituição e Justiça, onde obteve 16 votos contra 11. A movimentação indica uma demonstração clara de força dentro do Congresso, em um momento de reorganização das relações entre Executivo e Legislativo.

O episódio também revela fragilidades na articulação política do governo. Apesar da liberação de cerca de R$ 12 bilhões em emendas parlamentares às vésperas da votação, o Planalto não conseguiu consolidar a base necessária para garantir a aprovação. A ausência de parte dos senadores no plenário também contribuiu para o resultado, ampliando a margem contrária à indicação.
Trata-se de um fato raro na história recente do país. Desde 1894, o Senado não rejeitava um nome indicado ao STF, o que confere ao episódio um caráter histórico. A derrota ocorre em um momento sensível, com o calendário eleitoral se aproximando e disputas políticas sendo intensificadas em diversas frentes.
Além do impacto imediato, a votação sinaliza um cenário mais desafiador para o governo na relação com o Congresso. A capacidade de articulação do Executivo passa a ser testada em novas pautas, enquanto lideranças do Senado demonstram maior protagonismo nas decisões estratégicas.
Paulinho tenta conter debandada de vereadores para Allyson Bezerra
O prefeito de Natal, Paulinho Freire, iniciou um movimento de articulação para frear o avanço do grupo político do pré-candidato ao governo do Estado Allyson Bezerra sobre vereadores da capital. A reação ocorre após a divulgação de uma imagem com sete parlamentares ao lado de Allyson, gesto interpretado como sinal de apoio político antecipado.
Segundo relatos de bastidores, a iniciativa do prefeito inclui contatos diretos com vereadores que participaram da movimentação, entre eles Ebert Sena e Eribaldo Medeiros. Ambos são ligados ao deputado estadual Ubaldo Fernandes, que, conforme apuração, não teria sido previamente consultado sobre o gesto político.
A ausência de diálogo prévio também atingiu a relação com o próprio prefeito. Vereadores que integram a base administrativa de Paulinho teriam participado da agenda sem comunicar formalmente a decisão, o que gerou desconforto interno e acendeu o alerta no núcleo político da gestão.
A estratégia do prefeito agora é tentar reverter o movimento ou, ao menos, impedir novas adesões ao grupo de Allyson. Além dos parlamentares já expostos, há expectativa de que outros nomes possam ser atraídos para o mesmo campo, o que ampliaria o impacto político da debandada.
A situação expõe um teste relevante para a capacidade de articulação da gestão municipal. Embora a maioria da Câmara mantenha proximidade com o Executivo, o episódio indica fissuras na base e antecipa o ambiente de disputa que deve marcar o cenário político do Estado nos próximos meses.
Nos bastidores, aliados avaliam que o efeito prático do episódio vai além da fotografia, consolidando um movimento político organizado e não apenas circunstancial.
Fátima reage e promete levar Cadu ao segundo turno
A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, afirmou que seguirá atuando com mais intensidade no cenário político e eleitoral do Estado, destacando que não recuará diante de movimentos que, segundo ela, tentaram afastá-la da disputa.
Em declaração pública, a governadora disse que a reação será de fortalecimento da mobilização política. “Você pensava que nós íamos ficar assistindo a tudo isso, parados? Muito pelo contrário. Eu tô na luta com mais coragem ainda. Com mais garra ainda”, afirmou.
Fátima também declarou que houve uma tentativa de retirá-la do processo eleitoral, mas reforçou que não houve êxito. “As áreas elétricas fizeram uma manobra para me tirar da disputa. Mas não conseguiram e nem vão conseguir”, disse.
No mesmo pronunciamento, a governadora reafirmou apoio ao nome de Cadu Xavier na disputa pelo Governo do Estado e projetou um cenário de avanço na campanha. “Nós vamos levar Cadu Xavier ao segundo turno e eleger o governador do Estado”, declarou.
A fala também incluiu referência à disputa pelo Senado, com menção ao histórico político da própria governadora. Fátima destacou que já ocupou uma cadeira no Senado em 2014 e defendeu a retomada desse espaço como instrumento de luta política no Estado.