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Opinião

Exatus e o retrato fiel de um cenário aberto

Levantamento aponta consolidação de posições na pré-campanha, com elevado número de indecisos e espaço para movimentações
Por O Correio de Hoje
29/04/2026 | 16:51

Os dados da pesquisa Instituto Exatus confirmam, com clareza estatística e consistência metodológica, o cenário que os levantamentos sérios vêm apontando desde o ano passado no Rio Grande do Norte: há uma liderança estabelecida, há posições definidas, mas a eleição de 2026 permanece aberta, sem qualquer definição consolidada.

A pesquisa Exatus contratada pelo Grupo Agora RN e publicada por O Correio de Hoje oferece um retrato tecnicamente competente do momento político do Estado. Não porque antecipe o resultado da disputa, mas porque organiza, com números, um cenário que já vinha se desenhando e que agora se confirma com maior nitidez.

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O levantamento ouviu 1.518 eleitores entre 14 e 17 de abril, em todas as regiões do Estado, com margem de erro de 2,51 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro RN-08384/2026. São dados suficientes para sustentar uma leitura séria: a pré-campanha já tem posições claras, mas ainda não produziu uma consolidação definitiva.

No Governo do Estado, Allyson Bezerra (União Brasil) aparece na liderança da estimulada, com 37,29%. Álvaro Dias (PL) vem em segundo, com 24,91%, e Cadu Xavier (PT) em terceiro, com 10,74%. Também são citados Robério Paulino (Psol), com 2,03%, e Dário Barbosa (PSTU), com 0,68%.

A liderança de Allyson não surge agora. Ela é consistente com o que as pesquisas vêm indicando desde o ano passado. Da mesma forma, a presença de Álvaro Dias na segunda colocação acompanha esse histórico, com uma inflexão importante: após um período de desempenho mais instável, sua candidatura ganhou corpo com a saída de Rogério Marinho da disputa, absorvendo, ao menos em parte, o eleitorado de direita.

Já Cadu Xavier mantém um patamar que também dialoga com o histórico recente: dois dígitos ainda iniciais e dificuldade de expansão mais consistente. Nesse contexto, seu crescimento segue diretamente associado ao peso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma vez que o capital político da governadora Fátima Bezerra e da gestão estadual, isoladamente, não tem sido suficiente para levá-lo além dessa fase.

Ainda assim, o cenário está longe de resolvido. O próprio levantamento registra 15,35% de eleitores que não votariam em nenhum dos nomes apresentados e 9% que ainda não sabem em quem votar. Em uma eleição estadual, esse contingente é território aberto de disputa.

Na espontânea, a indefinição é ainda mais expressiva. Allyson tem 21,06%, Álvaro surge com 13,82% e Cadu registra 5,33%. Mas o dado central é outro: 47,82% não sabem em quem votar. Quase metade do eleitorado ainda não internalizou a disputa.

A rejeição ajuda a explicar o potencial de crescimento de cada candidatura. Cadu lidera com 23,37%, seguido por Álvaro com 16,93%. Allyson tem 7,62%. Quem lidera com baixa rejeição tende a crescer; quem acumula rejeição elevada encontra limites mais claros.

No Senado, a leitura exige atenção a uma particularidade: trata-se de uma eleição com dois votos por eleitor. Styvenson Valentim lidera com 48,6%, seguido por Zenaide Maia com 33,8%. Na sequência aparecem Rafael Motta (18,7%), Coronel Hélio (15,3%) e Samanda Alves (12,6%), além de Sandro Pimentel (3,2%), Jean Paul Prates (1,9%), Rosália Fernandes (1,9%) e Luciana Lima (0,6%).

Mesmo assim, a indefinição é elevada: 36,4% indicam nenhum e 27,1% não sabem em quem votar. Há espaço real para movimentação.

Para presidente, Lula lidera no RN com 46,51%, contra 33,33% de Flávio Bolsonaro. A vantagem confirma sua força regional, mas o desempenho do campo adversário mostra que a polarização nacional terá impacto no cenário local.

É nesse ponto que a pesquisa Exatus demonstra sua consistência. Ela não antecipa desfechos, nem força conclusões. Organiza os dados e permite leitura objetiva da realidade.

Cabe registrar, ainda, um aspecto essencial: o Instituto Exatus não presta serviços a grupos políticos nem trabalha para candidaturas. Atua como braço de levantamentos estatísticos do Grupo Agora RN, voltado ao jornalismo profissional, comprometido com a qualidade da informação e com o desenvolvimento do Rio Grande do Norte. Não se presta à manipulação de números nem ao atendimento de interesses circunstanciais de grupos A, B ou C.

Num ambiente em que proliferam levantamentos orientados por contratantes interessados em influenciar a opinião pública, esse posicionamento é decisivo. Os números da Exatus devem ser compreendidos como referência técnica, construída com método, critério e responsabilidade.

Num cenário político frequentemente marcado por narrativas e conveniências, a competência de uma pesquisa está em refletir a realidade como ela é — e não como se deseja que seja. A Exatus entrega exatamente isso: um retrato fiel, numericamente sólido e politicamente prudente de uma eleição que já começou nos bastidores, mas ainda não chegou por inteiro ao eleitor.