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Informe do Correio

Com mais de 200 mil eleitores, ZN entra no radar dos pré-candidatos

Confira os destaques da coluna Informe do Correio, publicada em O CORREIO DE HOJE nesta sexta-feira 5
Por O Correio de Hoje
05/06/2026 | 15:37

A Zona Norte de Natal entrou de vez na disputa de pré-campanha ao Governo do Rio Grande do Norte. Nos últimos dias, Allyson Bezerra (União Brasil) e Álvaro Dias (PL) concentraram agendas na região mais populosa da capital, em movimentos que expõem estratégias diferentes para o mesmo objetivo: medir força em Natal, atrair lideranças locais e ocupar um território eleitoral decisivo para 2026.

A região reúne sete bairros: Igapó, Salinas, Potengi, Nossa Senhora da Apresentação, Lagoa Azul, Pajuçara e Redinha. Em levantamento da Prefeitura do Natal com base em dados do IBGE, a Zona Norte já aparecia com 360,1 mil habitantes em 2017 e projeção de 387,2 mil em 2027. Mesmo com variações posteriores do Censo 2022, segue sendo o maior bloco urbano da capital. Só quatro bairros da região aparecem entre os mais populosos de Natal no Censo 2022: Nossa Senhora da Apresentação, com 76.177 habitantes; Pajuçara, com 56.454; Lagoa Azul, com 55.607; e Potengi, com 48.596.

Informe do Correio

O peso eleitoral também explica a movimentação. Natal tinha 575,6 mil eleitores em 2024, o equivalente a 21,73% do eleitorado potiguar. A Zona Norte concentra mais de 200 mil eleitores e é atendida pelas 1ª e 69ª zonas eleitorais. Em uma disputa estadual que tende a ser definida por desempenho regional, avançar nessa área significa disputar o maior colégio eleitoral do Estado por dentro.

Allyson intensificou sua presença na capital com a Caravana Desenvolve RN, levada à Zona Norte na noite de terça-feira 2. O encontro foi realizado no Colégio Expansivo, em Pajuçara, com organização do União Brasil e da Fundação Índigo, e teve a presença da senadora Zenaide Maia (PSD), uma das principais aliadas do ex-prefeito de Mossoró na disputa estadual. A agenda foi apresentada como espaço de escuta popular e coleta de propostas para o plano de governo.

A movimentação tem peso político porque Natal ainda é o principal desafio territorial de Allyson. Embora tenha Mossoró como base consolidada, ele precisa ampliar presença no maior colégio eleitoral do Rio Grande do Norte. A ida à Zona Norte, acompanhado por Zenaide e lideranças locais, sinaliza a tentativa de construir musculatura em uma região numerosa, popular e decisiva.

Álvaro reagiu no mesmo território. O ex-prefeito de Natal participou do encontro “Amigos de Márcio Gomes”, no Panatis III, no bairro Potengi, ao lado do primeiro suplente de vereador Márcio Gomes (PP), liderança com atuação comunitária na região. O evento também contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Natal, Ériko Jácome (PSDB), da vereadora Nina Souza (PL), pré-candidata a deputada federal, e da vice-prefeita Joanna Guerra (PL).

No encontro, Álvaro prometeu recuperar vias estaduais que cortam a Zona Norte e citou a avenida Felizardo Moura como referência de sua gestão na capital. O discurso tenta ligar sua pré-candidatura a entregas administrativas em Natal e responder ao avanço de Allyson em uma área onde o ex-prefeito busca preservar influência.

A disputa na Zona Norte também revelou diferenças na estrutura dos dois projetos. No mesmo período, Cadu Xavier (PT) concentrou sua agenda no lançamento da plataforma colaborativa de governo, na Arena das Dunas, com a presença do presidente nacional do PT, Edinho Silva, da governadora Fátima Bezerra (PT), prefeitos, parlamentares e movimentos sociais.

Prefeitura melhora dado, mas engorda ainda expõe falhas

A informação divulgada pela Prefeitura do Natal de que 94% da areia usada na engorda de Ponta Negra permanece na área de intervenção é positiva e reduz, em parte, a preocupação criada após a divulgação de relatório da Funpec que apontava movimentação de 39,27% da faixa emersa da praia. Segundo a secretária municipal de Infraestrutura, Shirley Cavalcanti, a perda efetiva seria de apenas 6%, percentual já previsto nos estudos ambientais, enquanto parte do material teria migrado para a faixa submersa e para a região central da praia.

O dado é relevante porque afasta, ao menos por ora, a leitura de que quase metade da areia teria sido definitivamente perdida. Também indica que a obra continua cumprindo parte de sua função costeira, principalmente na ampliação da faixa de praia e na proteção de trechos antes atingidos diretamente pelo avanço do mar. Ainda assim, a nova explicação da Prefeitura não elimina os problemas estruturais que passaram a marcar a engorda desde sua execução.

A principal fragilidade continua sendo a drenagem. Os alagamentos registrados após a obra, a lama acumulada na faixa de areia e a necessidade de uma intervenção complementar mostram que o projeto foi entregue sem que um ponto básico estivesse plenamente resolvido. Em uma obra dessa dimensão, executada no principal cartão-postal turístico do Rio Grande do Norte e com custo superior a R$ 100 milhões, a drenagem não poderia ter ficado como pendência posterior.

Também seguem sob atenção os questionamentos feitos por órgãos de controle e os alertas técnicos sobre o comportamento da areia no entorno do Morro do Careca, área considerada mais sensível da praia. A notícia dos 94% é boa, mas não reescreve a história da obra. A engorda pode ter preservado a maior parte da areia, mas continua carregando sinais de planejamento insuficiente, execução apressada e necessidade de correções que deveriam ter sido previstas antes da entrega.